Cafeicultura pode enfrentar crise maior, alerta corretor
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domingo, 11 de fevereiro de 2001
Benê Bianchi De Londrina 
O plano de retenção de café só trouxe prejuízos para a cafeicultura brasileira e a hora, agora, é dos produtores se unirem para cobrar providências das autoridades que representam o setor. Caso contrário, os prejuízos serão ainda maiores. A crítica ao plano e o alerta aos produtores são feitos pelo corretor e ex-vice-presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Paraná, Devanil Vicente Ferreira.
Desde que o plano de retenção do café entrou em vigor, em julho do ano passado, o Brasil deixou de exportar 5 milhões de sacas de café. Teremos, na próxima safra, em torno de 26 a 27 milhões de sacas no Brasil. Devido ao plano de retenção, devem sobrar 8 milhões de sacas da safra atual a serem somadas na safra de 2001/2002. A tendência, com isso, é que os preços continuem caindo, justifica ele.
Ferreira defende a implementação de um plano diferenciado, que passe longe da idéia de retenção, para socorrer a cafeicultura. Segundo ele, o governo deveria fazer um plano de Empréstimo do Governo Federal (EGF) que, se não surtisse efeito em 180 dias, se transformaria em Aquisição do Governo Federal (AGF), com a estipulação de um preço mínimo compatível com o custo de produção. O governo tem colocado café em leilão e nosso estoque, que era de 17 milhões de sacas há cinco anos, hoje é de 6 milhões de sacas. Com o AGF, o país poderia renovar seu estoque regulador, diz ele.
O plano de retenção foi um acordo fechado entre os principais países produtores de café com o objetivo de segurar a cotação do produto, que despencava desde janeiro de 2000. A saca, cotada de US$ 120 a US$ 130 em janeiro do ano passado, está hoje em US$ 60. Mas o único que está cumprindo o acordo é o Brasil, reclama Ferreira.


