Paulo Franzini, especialista em café da Seab, afirma que 70% do potencial de produção da próxima safra, o equivalente a 200 mil sacas da bebida, será perdido com a geada. Técnicos da secretaria estimam que mais de 10% da área plantada no Paraná, estimada em 82 mil hectares, deverá ser erradicada. "Cerca de 1,7 milhão de sacas deverão ser prejudicadas com a geada ou 62% da produção no ano que vem", destaca.
Franzini também concorda com a tese de que a geada trouxe uma oportunidade de renovação para a cafeicultura paranaense e que, se adotadas as técnicas indicadas, haverá um aumento na produtividade nas próximas safras. "Com os esqueletos à mostra, o produtor pode ver melhor os defeitos da planta", salienta. Mesmo assim, Franzini conclui que a tendência é de que a produção cafeeira do Paraná diminua em torno de 20% nos próximos ciclos. "Porém, com a adoção de novas tecnologias, acredito que não haverá impactos em termos de produção", comenta.
Segundo ele, uma lavoura tem que produzir, no mínimo, 40 sacas por hectare para valer o investimento. Franzini observa que investir em adubação, qualidade de mudas e principalmente em um sistema mecanizado de colheita, são alternativas para tornar a atividade mais competitiva. Hoje, a mão de obra na colheita ainda é um dos maiores gargalos do setor, representando 60% dos custos de produção no Paraná.
Além disso, os produtores paranaenses sofrem com os baixos preços pagos pelo grão. De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab, em julho deste ano, o preço oferecido ao produtor pela saca de café beneficiado foi de R$ 153,94, contra R$ 159,28 referente ao mês anterior. Desde o início do ano os preços da commodity vem caindo. Em janeiro, o valor da saca foi comercializado a R$ 158,10. O pico do preço da saca neste ano ocorreu em maio, chegando a R$ 199,74, mas voltou a cair nos meses seguintes.

Ação
Sérgio Suguiura, produtor na região de Apucarana (Norte), teve 40% de seus 86,4 hectares de área plantada com café afetados pela geada. A intempérie prejudicou somente as ponteiras e as extremidades dos galhos. Suguiura deverá aumentar a adubação do solo nas áreas menos afetadas e substituir as plantas mais danificadas, numa área estimada em 16,8 hectares. (R.M.)

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