Salvador - O governo federal dispõe de mais de US$ 1 bilhão para aplicar na cafeeicultura este ano, revelou o diretor do Departamento do Café do Ministério da Agricultura (Decaf), Jaime Junqueira Payne, que participou em Salvador do Simpósio Nacional do Agronegócio, encerrado ontem.
Os produtores estão reivindicando um montante de R$ 1,250 bilhão para a estocagem de 10 milhões de sacas de café. A estratégia é apontada pelos cafeicultores como essencial para evitar uma queda ainda maior no preço internacional do produto que gira, atualmente, em torno de US$ 48,00 a saca. A retenção de parte da produção baixaria a oferta mundial do café e, na visão dos produtores, ajudaria a aumentar o valor da saca.
Payne assegurou que o Decaf está aberto para atender ao pedido, insistindo que quem vai determinar o volume de recursos a ser aplicado no setor é o mercado. ‘‘Podemos liberar outros recursos além dos já previstos por meio de crédito rural para atender os produtores’’, disse. Na semana passada, o ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, liberou R$ 690 milhões informando que, além desse montante, outros R$ 256 milhões já constam do programa do governo para a colheita.
Governo e produtores ainda negociam o valor da saca a ser retida nas fazendas. Acredita-se que o cafeicultor receberá R$ 100,00 para cada saca que mantiver no seu estoque. Payne disse que a idéia do Ministério da Agricultura é formar um estoque de passagem para a próxima safra, ‘‘que deve ser uma das menores dos últimos anos, em torno de 25 milhões de unidades’’.
A safra atual está estimada em 40 milhões de sacas. ‘‘Queremos retirar o excedente do mercado e transportá-lo para 2003, mantendo a média das exportações em 2002 e 2003, possibilitando o inicio do ciclo de reversão de preço’’, disse.
Por outro lado, uma estratégia para aumentar o consumo do café no Brasil seria incluir o produto na merenda escolar. Estudos mostram que a medida poderia ampliar o consumo interno atual de 13 milhões de sacas/ano em 25%.

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