Santo Antônio da Platina Cafeicultores do Norte Pioneiro reivindicam a liberação e regulamentação imediata do contrato de opção pelo governo federal. O mecanismo assegura um preço mínimo para o produto e permite o ajuste do preço do café no mercado interno. Eles explicam que a saca do café é comercializada a US$ 42, quando deveria ser negociada a, no mínimo, US$ 60, para cobrir os custos de produção.
O mecanismo permitiu, no ano passado, a recuperação do setor. O contrato de opção prevê a comercialização antecipada da safra para o governo federal, por meio, do pagamento de um seguro. O valor de compra de produto, assim como o valor do seguro, ainda não foi definido. Eles alertam que a demora pode comprometer o setor porque ocorreu um aumento no valor dos preços dos insumos e carga tributária, elevando o custo de produção.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que o custo de produção, que em 2002 era de 150,00, subiu para R$ 198,00 neste ano. Os cafeicultores afirmaram que o aparente aumento no preço do café nos últimos meses permitiu, apenas, o reajuste de parcela do valor na moeda brasileira, mas que, em relação à cotação internacional, não dá para cobrir o gasto com a produção. Um cafeicultor da região disse que os preços estão defasados e que o reajuste atual foi promovido pela variação do câmbio
O engenheiro agrônomo e consultor, Luis Geraldo Papi Fernandes, disse que a demora na liberação do contrato vai provocar perdas ao produtor e favorecer o exportador. Ele disse que a exportação recorde de 29 milhões de sacas de café na última safra só foi possível com o prejuízo do produtor. ''Temos um produto de qualidade e com um preço baixo'', afirmou. E acrescenta que a demora na liberação do contrato de opção pode, inclusive, provocar a redução no número de cafeicultores e da área plantada.
Fernandes explica que o valor real do café é inferior ao valor obtido em 2002 com referência ao dólar. Ele avalia que na cadeia produtiva do setor o cafeicultor é o elo penalizado para a obtenção de preços competitivos no mercado internacional. O consultor admite que a intervenção do governo federal é fundamental para a reversão do quadro. A medida, segundo ele, foi aprovada, mas a liberação e regulamentação esta sendo retardada pelo Conselho de Desenvolvimento da Política Cafeeira (CDPC), que reúne todos os setores vinculados ao café.

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