A área plantada de café no Paraná diminuiu de 105 mil hectares em 2007 para 50 mil neste ano, mas a produtividade ainda aumenta e mostra que é possível para os agricultores familiares garantir o sustento e crescer no segmento. O tema foi debatido ontem no 24º Encontro Estadual de Café, na ExpoLondrina, que reuniu mais de 500 pessoas interessadas em conhecer casos bem sucedidos nos últimos anos no Estado, mas também que mostrou um discurso uníssono de que é necessário que o setor público dê maior apoio e assistência técnica ao campo.
Coordenador do evento e engenheiro agrônomo do Instituto Emater, Cilésio Abel Demoner abriu o debate e lembrou que, apesar de a área plantada com café ter sido de 1,6 milhão de hectares no Estado durante o auge do setor, em 1962, a produtividade aumentou de 7 sacas por hectare para ao menos 25 sacas hoje. Boa parte da evolução se deu justamente a partir de 1992, com maior apoio pelo lançamento do Plano Estadual de Revitalização da Cafeicultura do Paraná.
Por isso, Demoner defendeu que é possível manter a lucratividade mesmo em pequenas propriedades. "Quem se dá bem hoje é quem está com mais tecnologia no campo", disse. Ele considerou que o ponto de equilíbrio econômico é hoje de 30 sacas por hectare, índice que chega a ser dobrado em muitas propriedades paranaenses.
O agrônomo considerou ainda que é preciso, sim, atitude dos cafeicultores em buscar soluções, mas também o fortalecimento de laços com parceiros econômicos, entidades de classe como cooperativas e associações, além da própria família, para garantir a sucessão familiar. "Mas é preciso ter acesso à tecnologia e à assistência técnica, que ainda chegam muito pouco ao campo, o que dificulta que muitas pessoas se mantenham na cultura."

Boa renda e parceria
Filho e neto de produtores de café, o hoje presidente da Associação dos Cafeicultores de Grandes Rios (Acafe), Rogério Aparecido Pirolo, apresentou a história da família dele em torno da cultura. Da pequena propriedade nos anos 70, ele foi ampliando a produção, reuniu-se com outros agricultores na entidade e alavancou tanto a área plantada quanto a produtividade.
Pirolo contou que ele e o pai conseguem hoje rendimento médio de R$ 7 mil mensais, cada, além dos parceiros, que são três funcionários que conseguem tirar também pouco mais de R$ 2,3 mil mensais. Para isso, seguiu à risca as orientações como promover a diversificação de culturas, com tomate e gado, ampliar a mecanização, fazer a comercialização de café beneficiado e se unir com outros produtores para ampliar os mercados. "É preciso ter conhecimento sobre as mudanças, participar dos eventos, ter parcerias na família e com entidades, sindicatos, prefeitura. Na propriedade é o principal, porque meu funcionário é meu parceiro e digo para eles que eles é que mandam", disse. "Mas, principalmente para o pequeno produtor, falta assistência técnica. O pequeno produtor precisa dessa assistência técnica, que é gratuita para ele. Fica o meu apelo para que o pedido chegue ao governador", completou.

Imagem ilustrativa da imagem Cafeicultores mostram força, mas pedem apoio
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