Cafeicultores articulam bloqueio de rodovias
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quinta-feira, 28 de setembro de 2000
Marta Medeiros De Maringá 
Cafeicultores da região de Maringá querem bloquear estradas para protestar contra o governo pela demora na liberação de recursos para recuperação dos cafezais atingidos pela geada. O Sindicato Rural promoveu quarta-feira um encontro para colocar em pauta as principais exigências dos produtores.
As reivindicações estarão em uma carta redigida em conjunto por sindicatos de outras regiões do Estado que já se reuniram e pretendem uma audiência com o ministro Pratini de Morais.
Para o presidente do sindicato em Maringá, Aníbal Bianchini da Rocha, o movimento dos cafeicultores se justifica pela falta de cumprimento das promessas feitas pelo ministro há mais de dois meses quando visitou lavouras da região acompanhado pelo governador Jaime Lerner (PFL). Rocha lembrou que o governo do Estado é moralmente responsável pelo plantio de café adensado feito em larga escala a partir de 1996 e deve ajudar os cafeicultores na pressão por recursos junto ao governo federal.
O secretário executivo do sindicato, Valdecir Nokwa, lembra que 80% da colheita do café para o ano que vem está perdida. Os cafeicultores de todo o Estado calculam prejuízos em torno de R$ 294 milhões, mas reivindicam R$ 80 milhões de recursos federais para colocarem em prática um plano de recuperação da cafeicultura. O governo federal terá que editar uma medida provisória para alocar recursos porque destinou para outro fim o dinheiro do fundo nacional de seguro agrícola, ressalta Nokwa.
Segundo o presidente do sindicato, as lideranças vão tentar novo diálogo com o governo antes de programar os protestos.
Os cafeicultores querem, além de recursos para recuperação dos cafezais, adiamento do pagamento dos custeios e suspensão de execuções judiciais que já começam a ocorrer contra produtores inadimplentes. Em todo o Estado, os sindicatos devem criar um comitê permanente de negociação com o governo.


