Cafeicultor segura oferta esperando reação dos preços
Cafeicultor segura oferta esperando reação dos preços Vânia Casado De Curitiba O produtor de café está retendo a produção que ainda tem em mãos, numa antecipação à reação dos preços que pode ocorrer com a chegada do frio. Com isso o mercado já está reagindo. Ontem o café foi cotado a R$ 185,00/saca de café fino no Norte do Paraná. Acredita-se que o fundo do poço foi atingido na primeira semana de março, quando o café caiu a R$ 160,00 a saca, avaliou o engenheiro agrônomo Francisco Barboza Lima, do Departamento Nacional do Café, do Ministério da Agricultura (Denac). Para o presidente do Centro de Comercialização do Café do Norte do Paraná, Rosalvo Neves da Silva, as oscilações de mercado devem se tornar mais frequentes com a expectativa da proximidade do inverno e ocorrência de um frio mais rigoroso. Com a concretização do acordo firmado entre Brasil e Colômbia (veja matéria nesta página), a expectativa é de recuperação mais acelerada nas cotações, o que favorece a retração do mercado agora, admite Silva. Mas ele se mantém cético em relação à posição do governo de liberar R$ 500 milhões para financiar a retenção do café. Uma coisa é o anúncio, a outra é concretizar essa intenção, pelo menos a aplicação de todo o volume anunciado, avaliou. A retenção do café por parte dos produtores mais capitalizados é uma estratégia utilizada para recuperar parte dos prejuízos que tiveram desde o final do ano passado quando as cotações começaram a cair. O café fino que chegou a ser cotado por R$ 250,00 a saca em dezembro, era ofertado a R$ 160,00 na primeira semana de março A derrocada nos preços do café ocorreu porque o mercado esperava uma quebra grande na produção em função da estiagem ocorrida no Brasil. Acreditava-se que a safra brasileira seria inferior a 25 milhões de sacas. E as previsões oficiais divulgadas no final do ano passado jogaram água fria nessa especulação, ao sinalizar uma produção 28,9 milhões de sacas. Ao mesmo tempo, México, Colômbia e os países da América Central ofertaram café em excesso no mercado, derrubando as cotações, explicou Lima.





