Quase seis meses depois de as fortes geadas de junho destruírem a cafeicultura paranaense, acarretando prejuízos de R$ 255 milhões, os produtores não receberam o financiamento necessário para a reimplantação da cultura. Eles fazem com recursos próprios, a R$ 40,00/ha, a recuperação das plantas recepa (poda drástica) e outras operações, seguindo a orientação técnica para cada situação.
O estrago àquela época chegou a sensibilizar o ministro da Agricultura Pratini de Moraes, que prometeu ajuda. Porém, a ausência do governo federal (o Estado ainda apoia com crédito à formação de mudas) fica clara na situação do cafeicultor Vitório Terada, de Maringá, cuja propriedade foi escolhida para receber a visita do ministro Pratini de Moraes após o fenômeno, em junho deste ano. Terada (ouvido esta semana pela repórter Marta Medeiros da Sucursal de Maringá), como os demais cafeicultores precisava de financiamento, afinal são dois anos sem produção, mas de muito investimento. Mas, no lugar do crédito para o café recebeu uma saca de sementes de milho, sem saber a razão.
As dificuldades aumentam agora, quando os cafeicultores precisam de recursos para adubar a terra após as podas, mas não estão com acesso a linha de crédito. A previsão da Secretaria da Agricultura era que a produção seria de 2,9 milhões de sacas de café beneficiadas. Com as geadas, houve uma quebra de 75% na expectativa de produção e 2,2 milhões de sacas deixarão de ser produzidas no ano que vem. A engenheira agrônoma Margorete Demarchi, do Deral, está estimando que apenas 40% da área que deveria entrar em produção no ano que vem (148 mil ha), deverá efetivamente entrar em produção após as podas.
Além do prejuízo econômico, preocupa o prejuízo social. Fala-se em mais de 100 mil pessoas desempregadas no ano que vem.
A previsão para a safra 2000/2001 é que serão colhidas entre 700 a 750 mil sacas de 60 quilos. Dos 164 mil ha plantados com café no Paraná, estima-se que 10% já estão estão sendo erradicados, 30% sofrerão recepa, 40% decotes e esqueletamento (podas leves) e 20% vai ter condução normal, ou seja, lvaouras tratos culturais normais, informou a engenheira agrônoma do Deral, Margorete Demarchi.
O problema agora é pagar as contas. Como não veio ajuda do governo federal o cafeicultor está se virando como pode com recursos próprios. O governo federal permitiu ao Banco do Brasil prorrogar as dívidas que somam R$ 36 milhões no Estado. As dívidas de custeio que venceriam em outubro desse ano, para serem quitadas nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2001. E as dívidas de colheita, encerrada no mês passado, foram prorrogadas para os meses de abril, maio e junho de 2001.
Ocorre que a receita da safra 1999/2000 prevista para quitar esses débitos está reduzida. Os cafeicultores estão perdendo 40% da receita em função da queda no preço do café e mais 30% com a perda de safra provocada pela estiagem do ano passado.
Na safra atual, o produtor deveria colher de 2,8 milhões de sacas e colheu 2,0 milhões de sacas. Para agravar, o preço do café caiu para R$ 116,00 a saca, enquanto no inicio do ano estava em R$ 184,00 a saca.
O economista da Seretaria da Agricultura, Paulo Franzini, lamenta que pouquíssimos produtores no Paraná poderão acessar os recursos do Funcafé no valor de R$ 200 milhões. Esses recursos são direcionados apenas para lavouras não afetadas ou pouco atingidas pelas geadas em outros Estados.
Já os recursos liberados para poda do café também para todo o país, no valor de R$ 70 milhões, atende parcialmente as necessidades dos cafeicultores paranaenses. Isso porque os produtores que pretenderem acessar essa linha de crédito têm que ter em mente que a dívida terá que ser paga em 2002.
Lembrou que os recursos que ajudaram a cafeicultura do Paraná até agora foram os R$ 4 milhões liberados pelo governo do Estado, através do Programa Paraná 12 Meses. Esses recursos financiaram a produção de 40 milhões de mudas de café. Isto contribuiu para conter os preços das mudas no mercado, que já saltaram de R$ 130,00 o milheiro para R$ 160,00 após as geadas. Com o financiamento à produção de mudas, o preço está estabilizado em R$ 150,00 o milheiro, o que dá mais condições para o cafeicultor comprar o insumo.

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