Café vai alongar dívida de R$ 800 mi
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quarta-feira, 09 de abril de 1997
Oswaldo Petrin 
Marcos BorgesCasa cheiaDiscussão sobre café, ontem, no Parque Ney Braga, contou com grande número de produtores e técnicos O Conselho Deliberativo de Política Cafeeira (CDPC) e o Ministério da Fazenda estão negociando um plano de rolagem da dívida da cafeicultura junto ao governo, bancos oficiais e privados, em torno de R$ 800 milhões. A proposta do setor é o alongamento do débito por 15 anos, com um ano de carência, juros de 11,8% ao ano, pela TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), ou variação do preço de referência do produto mais 3% ao ano. O preço de referência considera um custo de produção de R$ 142,00/saca. A renegociação da dívida não impedirá a contratação de empréstimos de custeio.
A informação foi dada ontem de manhã, em Londrina, pelo vice-presidente do CDPC, Manoel Vicente Bertoni. Ele participou de um seminário Rumos do Café no Paraná, que fez parte da programação da 37ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. No encontro falaram também o presidente da Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina (BCML), Antonio Abrão, os técnicos Francisco Barbosa Lima (ex-IBC), Rafael Figueiredo da Emater, e Florindo Dalberto, diretor do Iapar.
Na questão da dívida, Vicente Bertoni ressalvou que o acordo esbarra na dívida contraída com bancos privados (cerca de R$ 150 milhões): o governo não aceita negociar as dívidas com agentes financeiros que não sejam oficiais. Outros empecilhos são atribuídos à burocracia oficial. Os técnicos do governo que atuam como interlocutores nesta fase da negociação com o CDPC acham que o acordo tem que ter o respaldo da Fundação Getúlio Vargas. A FGV, segundo apurou Bertoni, sugere que a proposta incorpore alternativas ao governo. Uma dessas alternativas seria condicionar a redução do prazo de 15 anos às condições de mercado. A premissa é que se o mercado tiver bom desempenho, os produtores terão liquidez para saldar o débido num prazo menor. A dívida seria renegociada conforme a capitalização do mutuário.
Marcos BorgesBertoni: proposta beneficia cafeicultura
Bertoni considera todas as alternativas negociáveis, mas, em contrapartida, o CDPC defende que a liberação de recursos para o custeio não fique na dependência da aprovação do acordo, como pretendem os técnicos do governo. O acordo será fechado dia 5 de maio, e só após aquela data é que os recursos seriam liberados. Ocorre que a lavoura precisa do custeio com urgência para as despesas de colheita.
Bertoni pondera que o Funcafé tem R$ 310 milhões em caixa e não seria sensato adiar a liberação de recursos para a colhetia.
Qualidade O presidente da Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina (BCML), Antonio Abrão, defendeu dois pontos importantes: melhoria da qualidade, como condição para competir no mercado, e medidas que regulem o fluxo da oferta, como fator de sustentação de preços. Abrão fez um retrospecto da política cafeeira se reportando ao papel do IBC para regulamentar o mercado. Hoje, sem um órgão específico com essas atribuições, o controle da oferta fica na dependência direta de aporte de recursos para a comercialização, evitando, assim, a concentração da oferta do produto. Do alto de sua experiência em mercado cafeeiro, Abrão apresentou dados que ilustram a história da comercialização do café.
Na retrospectiva, a partir de 1965, ficou evidenciado que as várias fases vividas pelo setor, culminaram por conferir um peso cada vez maior à variável qualidade. Antigamente, o diferencial pago por qualidade era de 10% e a determinante do mercado não era a qualidade. Hoje o diferencial de mercado em favor da qualidade é de 40% e tende aumentar, admitiu Abrão.
Outro aspecto a ser considerado pela produção é que o mercado interno também está cada vez mais exigente. Segundo Abrão, esta exigência já se faz sentir na própria qualidade do cafezinho.


