Renato Andrade
Agência Estado
Os cafeicultores de São Paulo, Bahia, Paraná e Minas Gerais, que participaram ontem, em Belo Horizonte, do encontro promovido pela Comissão Nacional de Café da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), encaminharão ainda esta semana um documento para os ministérios da Agricultura e Fazenda solicitando a liberação de recursos para pré-comercialização da colheita e uma reanálise do plano de prorrogação da dívida do setor, já apresentado pela CNA e pelo Conselho Nacional do Café (CNC) ao governo.
O documento, assinado pelo presidente do CNC, Gilson Ximenes, e pelo presidente da Comissão de Café da CNA, Rui Queiroz, solicita ainda a prorrogação por 30 dias do pagamento da primeira parcela de 8% da dívida dos cafeicultores que vence nesta sexta-feira.
Queiroz informou que a adoção das medidas solicitadas pelos cafeicultores é ‘‘imprescindível’’ para o adequado desenvolvimento da cafeicultura brasileira.
Rui Queiroz lembrou que a liberação de recursos para pré-comercialização de café dará maior sustentação ao mercado e a possibilidade dos produtores amortizarem a parcela de 8% do saldo devedor que vence daqui a dois dias. O pedido de reanálise do plano de prorrogação da dívida cafeeira tem como principal objetivo evitar a necessidade dos cafeicultores amortizarem os saldos que vencerão em 30 de agosto e 30 de setembro.
Queiroz insiste que a proposta apresentada pelas duas entidades trará uma ‘‘solução definitiva’’ para o problema. A proposta da CNA e do CNC prevê que os produtores irão comprometer 4% de sua receita bruta anual para pagamento das dívidas junto ao Funcafé.
Para Rui Queiroz, o anúncio feito ontem pelo ministro da Agricultura, Pratini de Morais, de um leilão de venda de 130 mil sacas de café e compra de 100 milhões de litros de álcool, foi uma boa sinalização ‘‘política’’ de que a transição das estruturas responsáveis pelas políticas relacionadas a estes dois setores do ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior para a Agricultura, não afetará a condução dos trabalhos em andamento. Ainda assim, Queiroz salienta que o processo de mudança precisa ser feito de maneira rápida e eficiente para que outras ações importantes, como a questão da dívida dos cafeicultores, sejam discutidas e resolvidas num curto espaço de tempo. ‘‘É preciso ter uma continuidade de todos os processos’’, disse.
As mudanças anunciadas na reforma ministerial também provocarão alterações na composição do Conselho Deliberativo de Política do Café (CDPC). Queiroz lembra no entanto que estas mudanças só deverão ser analisadas quando o processo de transição das estruturas estiver concluído.

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