Café solúvel entra na OMC em setembro
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terça-feira, 15 de agosto de 2000
Agência Estado 
Em setembro, a indústria brasileira de café solúvel estará dando início formal aos trâmites para derrubar a tarifa de 9,5% cobrada pela União Européia sobre o produto brasileiro exportado para aquele continente. O questionamento será feito através da Organização Mundial do Comércio (OMC) e poderá ser encaminhado para análise na instância da OMC que emite pareceres finais sobre conflitos de comércio exterior.
A briga brasileira acontece por causa do tratamento diferenciado aos demais países latino-americanos, asiáticos e africanos. Enquanto esses estão isentos, o Brasil paga 9,5% de imposto sobre o café solúvel desembarcado na UE. Na avaliação da indústria nacional, essa sobretaxa tira a competitividade do produto.
Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café
Solúvel (Abics) indicam que entre 1991 e 1998, as vendas brasileiras no mercado europeu caíram 37%, enquanto a Colômbia e o Equador aumentaram seu fornecimento em 79%. Nesse mesmo espaço de tempo, a União Européia aumentou suas compras em 38%. Os trâmites junto a OMC estão sendo coordenados pelo escritório norte-americano OMelviny & Mayers, com experiência em questões junto à organização. Embora admita que esse é um processo caro, Malta não revela os custos, que vêm sendo bancados pela iniciativa privada.
O primeiro semestre deste ano não quebrou o ritmo de quedas sucessivas nos resultados do segmento de café solúvel. Dados da Abics indicam uma redução de 26% na receita obtida com as exportações no período. As vendas para o exterior somaram US$ 97,19 milhões.
Os altos preços da matéria-prima interna e a crise na Rússia, país responsável pela compra de metade do café exportado pelo Brasil, colaboraram para o mau resultado. Há seis anos, os números de embarques e receita de exportação vêm apresentando queda. Em 1994, o Brasil embarcou 62,15 mil toneladas, perfazendo um total de US$ 346,37 milhões de toneladas. Para 2000, o País deverá embarcar um volume próximo às 45 mil toneladas, com receita na casa dos US$ 220 milhões, mesmo do ano passado. O setor vem defendendo já tem algum tempo a compra no exterior de café verde com finalidade de exportação, mas encontra resistência nos setores da produção.


