Café solúvel brasileiro perde mercado mundial
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quarta-feira, 04 de maio de 2005
Tomas Okuda<br>Agência Estado 
São Paulo - O diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Café Solúvel (Abics), Mauro Malta, diz que o Brasil está perdendo espaço para países consumidores no mercado de exportação de café solúvel. ''Competimos com países consumidores e não com países que produzem café'', garante.
Segundo ele, no período de 1995 a 2002, as exportações mundiais de café sob a forma de produto processado (solúvel) cresceram 94%, de 8,7 milhões de sacas de 60 kg para 16,9 milhões de sacas. No mesmo período, o Brasil elevou os embarques de solúvel em apenas 0,15%, de 2,516 milhões de sacas para 2,540 milhões de sacas. Em contrapartida, a exportações de solúvel de países consumidores, como Alemanha e Estados Unidos, saltaram 174% no período, de 4,2 milhões de sacas para 11,5 milhões de sacas.
''Os países consumidores têm conseguido abocanhar fatias maiores do mercado porque podem importar grãos verdes de qualquer origem, a preços competitivos'', explica Malta, cuja entidade que representa, a Abics, defende o direito de realizar operações de drawback (importação de matéria-prima para processamento e reexportação de produto com maior valor agregado).
Para complicar, a partir deste ano o Brasil ganhou a concorrência do Vietnã no mercado de solúvel. Os vietnamitas, que produzem café robusta de baixo custo, vão iniciar a exportação de solúvel para o mercado russo, um dos principais consumidores do produto nacional.
O que a indústria brasileira deseja ''são condições iguais de concorrência, ou seja, acesso generalizado a qualquer fonte de abastecimento de matéria-prima'', ressalta o representante do setor.
Malta diz que ''só assim o Brasil poderá almejar se tornar grande fornecedor de café processado, com maior valor agregado, gerando renda, impostos e empregos no País e não no exterior como hoje se faz com a permissão de importar café torrado com marcas famosas''.
Segundo ele, ''o Brasil tem importado café torrado de países consumidores pelo equivalente a US$ 500 a saca, enquanto continua a exportar o café verde a menos de US$ 100'', garante. ''A produção reclama do drawback, enquanto a importação de torrado e moído não tem restrições'', lamenta.


