As cotações do café registraram alta de US$ 35,00 no período de 30 dias. Segundo o operador de mercado da Carraro Agrobusiness, de Maringá, Carlos Alberto Carraro, o grande volume embarcado para o exterior no mês de dezembro - 1,5 milhão de sacas - e a ausência dos vendedores deixaram o mercado desabastecido, pressionando as cotações do café.
Outro fator que fez as cotações subirem, foi a queda da previsão da próxima safra brasileira. Inicialmente, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trabalhava com uma produção de 27 milhões de sacas. A previsão do governo brasileiro aponta para uma colheita de 19 milhões de sacas de café em coco.
‘‘Os traders e analistas do mercado internacional não acreditam que a produção brasileira seja tão baixa’’, comenta Carraro, dizendo que os fatores climáticos e cíclicos não devem afetar tanto a produção de café no País. ‘‘Como a produção no ano passado foi grande em Minas Gerais, nesta safra, normalmente, deve ocorrer uma redução. Mas no Paraná, deve ocorrer o contrário, e a produção será maior’’, diz.
Carraro observa que em fevereiro o mercado deve trabalhar com menor pressão de altas. Segundo ele, o mercado interno deve ter maior disponibilidade de oferta, uma vez que para fevereiro o volume de sacas registradas para exportação chega a 400 mil, contra os 1,5 milhões embarcados em dezembro. E no mercado externo, os fundos de commodities já negociaram 4 milhões de sacas, e na Bolsa foram negociadas 21.923 lotes para março. ‘‘É um volume muito grande, e se houver alguma pressão de venda os preços podem sofrer uma depreciação’’, analisa.


Vender no mercado
futuro pode garantir
bons negócios para
o cafeicultor



Mercado futuro Carraro afirma que este é um bom momento para os produtores venderem café no mercado futuro. Segundo ele, na bolsinha de São Paulo, a saca do café bebida dura, tipo 6, foi negociado a US$ 161,00 para entrega em maio. Já para julho, início da safra brasileira, a saca do mesmo produto ficou cotado a US$ 147,50.
Em julho do ano passado, mais precisamente no dia 18, a saca do café bebida dura foi negociada a US$ 106,00 no mercado físico, enquanto que a saca negociada no mercado futuro em janeiro de 1996 para entrega em julho foi cotada a US$ 144,00. ‘‘Considerando-se que um produtor com tecnologia e lavoura bem gerenciada tem um custo de produção de US$ 65,00/saca, a venda futura, com a saca cotada a US$ 147,50 representa um bom resultado’’, comenta.

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