Café sobe R$ 5 com mercado aquecido
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sexta-feira, 07 de fevereiro de 2003
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
O mercado do café fechou ontem com alta nominal de 140 pontos em Nova York, elevando também as cotações no mercado físico brasileiro. No Paraná, a saca de café fino foi negociada entre R$ 180 e R$ 187, com alguns lotes finíssimos chegando a R$ 190.
A valorização foi de R$ 5 por saca, com relação ao dia anterior, informou o corretor Marcos Bacceti. A alta resultou da ação dos fundos de pensão americanos, que realizaram lucros e voltaram a comprar. ''Foi especulação'', concluiu.
Em janeiro, a média dos preços físicos do café arábica foi 3,6% superior à média mensal de dezembro, segundo o indicador do Centro de Estudos de Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq). A valorização decorre das altas verificadas na Bolsa de Nova York que, na maioria dos pregões, operou sob influência das estimativas de queda de produção no Brasil e demais países.
A conjuntura aumentou levemente a oferta do grão no mercado físico em janeiro, em comparação aos meses anteriores. Os exportadores, por outro lado, continuaram dispostos a adquirir o produto, enquanto as indústrias permaneceram fora do mercado, alegando que o preço da matéria-prima está alto. O Cepea também informou que as torrefadoras compraram apenas o suficiente para atender as suas necessidades imediatas.
As informações sobre a cotação do café não animaram o produtor Francisco Lopes, de Ribeirão do Pinhal (57 km a oeste de Jacarezinho). Com custo de produção ultrapassando R$ 170 por saca, ele gostaria que o preço atingisse US$ 100. ''Só assim teria condições de cuidar bem da lavoura. Estou pagando R$ 800 pela tonelada de adubo'', reclamou.
Ele lembrou que a saca de café já foi cotada a US$ 250. ''Isso num tempo em que o adubo custava R$ 150'', comparou. Para Lopes, os especuladores estão forçando a cotação da commodity para baixo, mas ainda há espaço para novas altas. ''Quando o mercado se conscientizar que vai faltar café, o preço explode'', opinou.
Expectativa- A safra brasileira de café de 2003 deve ser de 28,5 milhões de sacas. O volume é 39,36% menor que os 47 milhões obtidos no ano passado. Se os números se confirmarem, a tendência altista do mercado será mantida mesmo na safra, opinou o engenheiro agrônomo Francisco Barbosa Lima, do Departamento Nacional do Café (Denac) do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
O Paraná é um dos estados que menos sofrerá quebra. Responsável pela colheita de 2,3 milhões de sacas no ano passado, a previsão é que o Estado produza dois milhões de sacas em 2003.


