Café sobe com notícia de quebra da safra
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quarta-feira, 07 de janeiro de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
As notícias sobre a quebra na produção brasileira de café em 2004 começam a refletir na cotação internacional do produto. Na segunda-feira, a Bolsa de Chicago encerrou o dia com alta de 365 pontos. Ontem, o fechamento registrou 135 pontos de valorização. A movimentação chegou ao mercado interno. Em Londrina, a saca valorizou R$ 10,00 com relação à semana anterior. O café fino foi negociado, ontem, entre R$ 165,00 e R$ 170,00, segundo o corretor Marcos Bacetti.
''Uma hora, a conjuntura de baixos estoques e menor produção acabaria resultando em alta'', analisou. Por causa dos baixos preços dos últimos quatro anos, cafeicultores brasileiros reduziram os investimentos em tratos culturais, o que diminuiu a produtividade das lavouras.
A primeira estimativa de safra divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revelou que, na safra 2004/05, o País produzirá de 34,1 milhões a 37,47 milhões de sacas de café. Como o ano é de safra cheia, o mercado especulava que a produção poderia chegar a 50 milhões de sacas, superando o recorde de 48,48 milhões de sacas de 2002. Em 2003, a produção foi de 28,46 milhões de sacas. O volume menor é explicado pela bianualidade da cultura, que em um ano tem alta produtividade e, no próximo, produz menos.
Apesar da recuperação, os preços praticados ainda não cobrem os custos dos cafeicultores brasileiros. A média histórica de cotação da commodity varia de US$ 70,00 a US$ 100,00. No preço praticado em Londrina, a saca vale US$ 59,00. ''Caso a cotação de US$ 70,00 estivesse sendo praticada, a saca valeria R$ 200,00, o que garantiria uma situação bem mais tranquila aos produtores'', disse.
O engenheiro agrônomo Francisco Barbosa Lima, do Departamento do Café (Decaf) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), acredita que a ''fase crítica do café já passou''. Ele não aposta em explosões de preços, mas afirmou que as cotações serão favoráveis até a entrada da nova safra, no final deste semestre. Os preços devem voltar a subir no final do ano, quando começam as projeções para a safra de 2005 que, por causa do ciclo bianual, será menor que a deste ano.
O especialista acrescentou que os tratos culturais insuficientes foram a principal causa da redução da estimativa da atual safra. Além disso, muitos cafezais foram erradicados. Em 2002, a área cultivada com café, no Brasil, ocupava 2,3 milhões de hectares, caindo para 2,2 milhões de hectares em 2003.


