Café recua R$ 15,00 em dois dias
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sexta-feira, 24 de abril de 1998
Guto Rocha 
Pelo segundo dia consecutivo as cotações do café registraram queda no fechamento da Bolsa de Nova York. Neste período, as baixas somaram 1,2 ponto nos contratos de julho, o que representa uma queda de US$ 12,00/saca de 60 kg. No mercado interno, as quedas somam R$ 15,00/saca. Segundo o corretor do Escritório Marrequinho, de Londrina, Márcio Tavares de Menezes, a queda foi provocada pelo anúncio do relatório da F.O. Licht, importadora da Alemanha, apontando que a safra brasileira atinja 38 milhões de sacas. A previsão do Departamento Nacional do Café (Denac) é de que o Brasil colha 31 milhões de sacas.
Menezes disse que o mercado ontem ficou completamente paralisado. Tanto compradores como vendedores desapareceram, comentou. A saca do café foi cotada a R$ 175,00/180,00. O corretor observou ainda que o mercado tem demonstrado que a oferta é maior que o interesse pelos compradores. Mesmo nos leilões de CPR é possível notar isso. Ontem (quinta-feira) a saca ficou em R$ 143,00 no leilão. Hoje (ontem) a saca já era negociada a R$ 140,00 no leilão de CPR, comentou.
O vice-presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Paraná, Devanil Vicente Ferreira, disse que as especulações em torno da nova safra já começaram. Ele observou que a tendência é de que os preços continuem a cair. A safra nova já está entrando. No Norte de Minas Gerais já existem lotes formados de 500 mil sacas, comentou. Ferreira disse que outro fator baixista, é o pequeno interesse por parte dos importadores. Muitos têm estoques para 90 dias, e sabem que as ofertas vão aumentar, afirmou.
Para Ferreira, os produtores devem aproveitar o momento para desovar o café remanescente. Apesar das quedas, os preços ainda estão bons. É uma oportunidade para fazer caixa para colheita, disse. O corretor observou ainda que no segundo semestre os compradores darão preferência pelo produto da safra nova.


