Café puxa queda de preços dos produtos brasileiros
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quarta-feira, 24 de outubro de 2001
Denise Angelo<br> De Ponta Grossa 
Os preços das principais commodities agrícolas têm recuado no mercado internacional. A receita pode ser compensada pelo aumento do volume exportado e a rentabilidade do produtor - no caso da soja - será compensada pelo aumento do dólar.
O café lidera essa queda. Os produtores de café estão vendendo o produto por um preço 50% inferior ao custo de produção e 47% menor do que os praticados no ano passado. A situação dos cafeicultores do Paraná é considerada insustentável pelo presidente da Associação Paranaense dos Cafeicultores, Ricardo Strenger. Segundo ele, o custo médio de produção de uma saca é de cerca de 70 dólares enquanto hoje o produto está sendo vendido a US$ 32,00/saca. ''É o pior ano para a produção do café porque estamos recebendo os menores preços e tendo o maior custo de insumos em função da alta do dólar'', explica.
Historicamente, o preço do café é de US$ 100/saca. No ano passado a cultura já teve um mercado difícil, com preços que ficaram na casa dos US$ 60,00. ''Mas este ano a cultura está absolutamente impraticável'', reclama. Apesar dessa situação, as exportações brasileiras devem ter um pequeno incremento, passando de 19 milhões de sacas no ano passado para 22 milhões neste ano.
A queda no preço internacional do produto está sendo provocada pela supersafra. Mas Strenger explica que a supersafra é do café robusta, uma qualidade que apresenta menos aroma, menos sabor e alto índice de cafeína. ''É um café sem qualidade e que tem custo menor. E a indústria está aumentando a mistura desse café no café arábica, enganando o consumidor'', critica.
Segundo ele, a mistura faz com que caia a qualidade do café industrializado, reduzindo o consumo. Por isso, a Associação Paranaense dos Cafeicultores está fazendo uma campanha, que já conta com a adesão de outros estados, para que o mercado diferencie o café na embalagem. ''O consumidor tem o direito de saber o que está levando para casa'', argumenta.
Só na Ásia, a produção de café robusta passou de três milhões de sacas em 1995 para 14 milhões este ano. Em compensação, a produção mundial de café arábica teve uma redução de 1,5% do ano passado para cá.
Por causa desse cenário, muitos cafeicultores paranaenses, especialmente do Norte Pioneiro, estão acabando com os cafezais velhos, cujo custo de produção é mais elevado. ''Os produtores estão arrendando as terras para produtores de cana porque não têm como manter as plantações'', conta Strenger.


