Incentivo à qualidadeOs bons preços do café são incentivo à melhoria da qualidade na próxima safra, prevêem os técnicos SÃO PAULO - Os preços do café arábica bateram ontem o recorde dos últimos dois anos na Coffee, Sugar & Cocoa Exchange, de Nova York. Para março, o próximo vencimento, avançou 5,07% em um dia (830 pontos), fechando a 171,85 cents a libra-peso. Maio subiu 3,43% (540 pontos) para 162,95 cents. Na Bolsa de Londres, o café robusta fechou em alta de US$ 25 a t para março, para US$ 1.650. Maio, o vencimento seguinte, subiu US$ 24, para US$ 1.667.
O impulso para as cotações vem da greve do funcionalismo na Colômbia, que deve retardar os embarques de café do segundo principal produtor. O Brasil, líder nas exportações, está em entressafra e a colheita deve ficar em 20 milhões de sacas, segundo o Ministério da Indústria e do Comércio. A atual ficou em 26 milhões.
Com a falta do produto para entrega imediata, os torrefadores de países importadores, ‘‘com a corda no pescoço’’, tentam remediar a situação, buscando cobertura nas Bolsas. Os torradores começam a aumentar preços no atacado nos Estados Unidos, Alemanha e Holanda, relata Américo Sato, vice-presidente da Abic.
A alta do arábica tem contribuído para a variedade robusta, que, apesar da grande safra asiática e africana deste ano, também registra valorização expressiva, refletida na Bolsa de Londres. ‘‘O mercado está muito volátil, perigoso’’, define Jorge Esteve, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Café.
Surpresa Parado por causa do Carnaval, o mercado interno mostrou surpresa com a valorização em Nova York. Em três dias, o café acumulou alta de 2.080 pontos. De sexta a ontem, a cotação da saca de arábica tipo 6 duro avançou 6,18%, chegando a R$ 189 em Varginha, no Sul de Minas.
Para que o preço ao consumidor no mercado interno não aumente demasiadamente, o presidente do Conselho Nacional do Café, Gilson Ximenes, defende a liberação gradativa do produto dos estoques oficiais, que somam 13 milhões de sacas. Ximenes, representante das cooperativas, apóia a venda mensal de 200 mil a 250 mil sacas até junho. No dia 5 passado, das 150 mil sacas oferecidas, apenas 75% tiveram comprador. ‘‘Os preços mínimos estavam muito altos para o momento’’, justifica Sato. O vice da Abic defende leilões mensais de pelo menos 250 mil sacas.

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