Café obtém melhor preço em dois anos
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 1997
Gitânio Fortes Agência Estado 
Incentivo à qualidadeOs bons preços do café são incentivo à melhoria da qualidade na próxima safra, prevêem os técnicos SÃO PAULO - Os preços do café arábica bateram ontem o recorde dos últimos dois anos na Coffee, Sugar & Cocoa Exchange, de Nova York. Para março, o próximo vencimento, avançou 5,07% em um dia (830 pontos), fechando a 171,85 cents a libra-peso. Maio subiu 3,43% (540 pontos) para 162,95 cents. Na Bolsa de Londres, o café robusta fechou em alta de US$ 25 a t para março, para US$ 1.650. Maio, o vencimento seguinte, subiu US$ 24, para US$ 1.667.
O impulso para as cotações vem da greve do funcionalismo na Colômbia, que deve retardar os embarques de café do segundo principal produtor. O Brasil, líder nas exportações, está em entressafra e a colheita deve ficar em 20 milhões de sacas, segundo o Ministério da Indústria e do Comércio. A atual ficou em 26 milhões.
Com a falta do produto para entrega imediata, os torrefadores de países importadores, com a corda no pescoço, tentam remediar a situação, buscando cobertura nas Bolsas. Os torradores começam a aumentar preços no atacado nos Estados Unidos, Alemanha e Holanda, relata Américo Sato, vice-presidente da Abic.
A alta do arábica tem contribuído para a variedade robusta, que, apesar da grande safra asiática e africana deste ano, também registra valorização expressiva, refletida na Bolsa de Londres. O mercado está muito volátil, perigoso, define Jorge Esteve, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Café.
Surpresa Parado por causa do Carnaval, o mercado interno mostrou surpresa com a valorização em Nova York. Em três dias, o café acumulou alta de 2.080 pontos. De sexta a ontem, a cotação da saca de arábica tipo 6 duro avançou 6,18%, chegando a R$ 189 em Varginha, no Sul de Minas.
Para que o preço ao consumidor no mercado interno não aumente demasiadamente, o presidente do Conselho Nacional do Café, Gilson Ximenes, defende a liberação gradativa do produto dos estoques oficiais, que somam 13 milhões de sacas. Ximenes, representante das cooperativas, apóia a venda mensal de 200 mil a 250 mil sacas até junho. No dia 5 passado, das 150 mil sacas oferecidas, apenas 75% tiveram comprador. Os preços mínimos estavam muito altos para o momento, justifica Sato. O vice da Abic defende leilões mensais de pelo menos 250 mil sacas.


