Cafeicultores do Norte Pioneiro poderão exportar parte de suas produções para a Europa a partir do próximo ano. Este é apenas um dos resultados obtidos durante a 1 Feira Internacional do Café (Ficafé), realizada em Jacarezinho no final da semana passada. Um representante da Starbucks (cafeteria presente em todo o mundo) levou amostras dos cafés para a Europa e também está definido que uma missão espanhola visitará a região no próximo ano. ''Percebemos na feira que tudo o que produzirmos tem mercado. Só depende de volume e marketing para divulgação da qualidade'', afirma Odemir Capello, gestor do Sebrae do projeto de cafeicultura para o Norte Pioneiro.
Durante a feira foram apresentados 48 lotes de cafés especiais. Só não houve muita comercialização porque os lotes eram pequenos, de cerca de 30 sacas. Por isso, o Sebrae está organizando os produtores para fechar lotes maiores (de 500 sacas) e tentar negociá-los. Participaram da feira compradores e comercializadores da bebida de 16 empresas de Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Santa Catarina e do Paraná.
O trabalho para resgatar e divulgar a qualidade do café produzido no Norte Pioneiro começou há um ano e meio em parceria com diversas entidades. Em março deste ano, foi fundada a Associação de Cafés Especiais do Norte Pioneiro (Acenpp), que conta com cem associados. A intenção é aproveitar o potencial da região para a produção cafeeira como altitude variável de 600 a 900 metros, temperaturas médias entre 19ºC e 22ºC, latitude, solos férteis. ''Estes fatores dão mais corpo à bebida'', comenta Luiz Fernando de Andrade Leite, presidente da Acenpp.
A entidade desenvolve vários projetos, sendo o primeiro deles com indicação de procedência que, inclusive, lançou uma marca própria. Outra proposta é a certificação, que vai instituir normas e condutas de qualidade para comercialização. Para isso, todos os associados da entidade se comprometeram a destinar 2% da área de suas propriedades para a produção de café especial.
Nos próximos cinco anos, a meta é aumentar a área plantada para 10% das propriedades. ''Nosso objetivo é igualar a qualidade do café paranaense com a do café mineiro'', observa Leite. Ele mesmo investe na cafeicultura há sete anos. A propriedade, localizada em Nova Fátima (31 km ao sul de Cornélio Procópio), tem 80 hectares, 12 deles com cultivo de café. A produção é de cerca de 300 sacas por ano, mas a intenção é ampliar o plantio para 30 ha e uma produção de mil sacas/ano.
O café produzido em Nova Fátima já recebeu oito premiações em concursos de qualidade: três no estadual e cinco no regional. Segundo ele, a crise financeira global fez cair os preços das commodities. ''Mas é hora de perseverar na atividade porque só os que se mantiverem na atividade vão 'beber água limpa depois' (quando os preços subirem novamente)'', avalia o produtor. Na sua avaliação o próximo ano será de surpresas, uma vez que o consumo está em alta, a safra brasileira será menor devido à bianualidade da cultura e os estoques mundiais estão caindo.(F.M.)

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