A Comissão Nacional do Café (CNC) da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), reunida ontem, em Brasília, decidiu encaminhar, nos próximos dias, pedido ao Conselho Deliberativo de Política Cafeeira (CDPC) para que as dívidas dos produrores de café referentes a custeio da safra deste ano vencíveis nos próximos 40 dias sejam suspensas. Além da suspensão da dívida, segundo o presidente da Comissão, Rui Queiroz, os produtores querem a transformação do débito em ‘‘custeio rotativo’’.
Na prática, isso significa ter mais liberdade para utilizar os recursos que começarão a ser liberados para custear a próxima safra (98/99), podendo pagar os juros ou mesmo parte do custeio passado. Sem precisar qual o montante da dívida dos produtores, Rui Queiroz disse que a suspensão desse débito de custeio, aliada ao adiamento de outro débito que o setor possui com o Fundo Nacional do Café (Funcafé) com vencimento no final deste mês e do próximo, ajudaria o setor a aguardar melhores preços para o produto.
Segundo ele, com a crise mundial das bolsas de valores, os preços do café que estavam entre US$ 140 e US$ 150 a saca, caíram para US$ 115 a US$ 120 a saca nesses últimos dias. Como neste momento o Brasil é o único vendedor do produto no mercado internacional, os compradores estão acompanhando de perto a tendência dos preços para fazer suas aquisições.
Com relação ao débito com o Funcafé - referente ao alongamento de empréstimos tomados no passado, Queiroz disse que a proposta do setor é para que essa dívida seja transformada em financiamento de pré-comercialização por conta da safra do ano que vem. Os produtores, segundo ele, dariam o café como garantia e retirariam os recursos.
O objetivo dessas medidas é evitar que o produtor venda sua produção quando os preços do mercado internacional estão baixos, porque tem que pagar dívidas internas, observou.
O presidente da CNC explicou que as medidas pleiteadas pelos cafeicultores merecem ser avaliadas, porque provavelmente a safra de 1999 será menor que a deste ano, em decorrência de quedas cíclicas da safra do café. A safra deste ano é de 33,7 milhões de sacas, contra 20 milhões colhidas no ano passado.
Desse total, 18 milhões de sacas são exportadas, em média, e 12 milhões são consumidas no mercado interno. Da safra deste ano, segundo ele, 80% estão colhidos e prontos para ser colocados no mercado. Lamentavelmente os preços internacionais caíram quando o forte da safra brasileira começaria a ser exportado, lastimou.

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