Café da manhã agora é na padaria
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quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Marcos Mantovani<br>Especial para a FOLHA 
A rotina de comprar o tradicional pãozinho em algumas padarias de Londrina já não é a mesma. Novidades do setor, investimentos e a busca pelo aperfeiçoamento por parte dos empresários estão mudando o perfil dos consumidores e o que eles procuram em uma padaria. Além disso, o cliente tornou-se também mais exigente e fez com que os empresários do setor de panificação mudassem o perfil do atendimento e o portifólio dos produtos.
Antigamente, o padrão de uma panificadora era ter sempre o pão francês quentinho e poucas variedades de bolos ou tortas. Ao contrário disso, agora algumas padarias de Londrina oferecem quase de tudo, do tradicional pão francês, passando por tortas e receitas de família e até produtos importados como: queijos, salames, pastas e patês, opções que variam de centavos a centenas de reais. Vender pães não é o suficiente. Tomar o cafezinho ou pingado não satisfaz. O que as pessoas procuram atualmente é um serviço completo.
Já passou da época em que o próprio dono do negócio fazia o pão, atendia no balcão, dava o troco e terminava o dia limpando sua padaria. Os proprietários estão investindo na qualificação dos atendentes, treinando-os nas mais diversas áreas do ramo de padarias e buscando fora cursos como o de barista.
A reportagem da FOLHA percorreu alguns estabelecimentos e descobriu que as padarias são muito mais do que simples fábricas de pãozinho. Esses comércios se tornaram verdadeiros shoppings de guloseimas.
Adquirida em 2002 por Amim Mohamed Issa, a Pandor, no centro de Londrina, passou por uma completa transformação. De olho no mercado crescente, o proprietário realizou alguns investimentos e hoje os clientes encontram praticamente quase tudo: do tradicional pão francês a filé com fritas a qualquer hora do dia além de uma enorme variedade de queijos, frios e patês.''Antigamente eram clientes mais tradicionais buscando produtos tradicionais, nos dias atuais são jovens, crianças, famílias inteiras vindo aqui para tomar um lanche ou mesmo fazer refeições completas'' destaca Issa.
No Mister Cuca, também na área central, o pão francês é um mero coadjuvante diante do balcão de tortas e bolos e os pães especiais. A história do ponto remete a 1996, quando a família Calderaro trabalhava apenas com revenda de produtos alimentícios numa casa de madeira. Já no ano seguinte, com receitas produzidas pela proprietária Angélica Calderaro, o reconhecimento do estabelecimento se sobressaiu rapidamente.
Em pouco tempo, passaram a produzir diversos tipos de pães e uma grande variedade de tortas doces e salgadas e sorvetes artesanais confeccionados com matéria-prima e tecnologia importadas da Itália. Segundo Gustavo Calderaro, em 2004 sua mãe foi para a Itália aprender como fazer sorvete ao estilo ítalo e o resultado pode ser degustado todos os dias.''Nossos clientes são os mais variados, muitos vêm atrás dos nossos pães especiais, mas em geral, as tortas doces e salgadas são as preferidas. O nosso carro chefe é a torta trufada, uma criação de minha mãe'' ressaltou Calderaro.
Os proprietários Elieth Hodas e Antonio Carlos Hodas, da Famiglia Milane Panificadora apostam na tradição familiar e no bom atendimento há 40 anos. O espaço fica pequeno para atender a procura pelas receitas tradicionais da casa. ''A intenção é logo aumentar para atender melhor a clientela'', salientou Elieth.
Consumidores aprovam evolução
O ortopedista Áureo Cinagawa é freqüentador assíduo de uma panificadora próximo ao seu consultório, na Rua Souza Naves. Pelo menos duas vezes por dia ele atravessa a rua para tomar café: um hábito que cultua a mais de 20 anos. O balcão de padaria é o melhor confessionário que existe. É uma grande dose de endorfina, destacou o médico. Para ele o momento cafezinho é impar. Ele chega a convidar seus pacientes para uma conversa mais descontraída fora de sua clínica. Precisamos de momentos de descontração em nossas vidas, as pessoas devem ter esse prazer, enfatizou o médico.
Nós tínhamos o hábito de freqüentar outro local de forma esporádica. Como essa padaria fica próxima a nossa residência, estamos por aqui todos os sábados afirmou Edinelson Silva. Ele e a mulher, Rosane costumam passar na padaria todos os dias, mas no fim de semana é um local de encontro da família. Durante a semana é mais rápido, apenas um cafezinho, mas no sábado reunimos a família e tomamos café aqui, com tempo e sem stress, destacou o comerciante. No fim de semana, o tempo de permanência da família Silva na padaria costuma ser de 30 a 40 minutos. Gostamos da qualidade dos produtos, do local, da higiene, do atendimento complementou Rosane Silva.Eles gastam em média R$ 250,00 mensais em café da manhã.
Os advogados Rogério Ventura e Alione Moraes são Campo Grande (MS) e mantém um apartamento em Londrina. Por isso, não estocamos alimentos em casa e, assim, a padaria passa a ser a nossa cozinha. Rogério lembrou que no Mato Grosso do Sul é muito raro encontrar ambientes como os das padarias londrinenses. (M.M.)


