Café caminha para definição de preços
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sábado, 26 de agosto de 2000
Oswaldo Petrin De Londrina 
A indefinição do mercado cafeeiro deve demorar pelo menos uns 40 dias e a performance da florada dos cafezais de Minas Gerais e São Paulo será o divisor no comportamento dos preços, já que a principal variável externa, o elevado estoque mundial, conspira contra os interesses dos produtores e outros agentes do mercado brasileiro.
A florada de setembro/outubro projeta o potencial de carga da planta para a próxima safra. Como o cafeeiro está sendo castigado pela seca, a expectativa em torno desse comportamento aumenta porque vai indicar o tamanho da redução.
Este é um dos pontos da análise do mercado feita esta semana pelo corretor Marcos Bacceti. Ele concorda que o mercado vive um período atípico e destaca a informação como a ferramenta mais importante para uma operação de venda bem-sucedida. Outras atitudes seriam as vendas parceladas, para fazer médias de preços, e o domínio do custo de produção para saber qual patamar de preço está deixando lucro. Quem não sabe quanto gasta (ou investe) não sabe quanto ganha. Afinal, para muitos produtores, os atuais R$ 130,00/134,00 - preço máximo esta semana para o tipo 6 padrão exportação do Paraná - são um preço razoável, que garante lucro. Já para outros, nem a R$ 170,00/saca o café se faz rentável. Decide a venda com mais segurança aquele que tem clareza do seu custo e do lucro.
Com relação a previsões, o corretor avisa que em café não pode haver achismos, ou seja, previsões por intuição sem embasamento técnico.
Bacetti não se coloca contra a estratégia da retenção do café, mas não tem dúvida em afirmar que a retenção, este ano, não tem funcionado. O mercado internacional está sendo abastecido de cafés que, com certeza, não são brasileiros. Outros comerciantes também acham que o Brasil perdeu muito espaço no mercado internacional e foi prejudicado pela política de retenção.
Apesar da resistência brasileira, os compradores vêm conseguindo encontrar oferta suficiente em outras origens, observa Bacceti.
Ele acrescenta que não existe movimentação por parte do importador visto que é verão no hemisfério norte e sazonalmente a preferência pela bebida cai nesta época.
Bacceti fala de duas realidades bem distintas vividas pelo mercado cafeeiro hoje. Internamente, o produtor motra resistência e encurta a oferta para recuperar as cotações. O programa de retenção e a promessa de crédito teoricamente dão sustentação a essa postura. No entanto, lá fora, o quadro é bem diferente, com estoques elevados (fala-se em 15 milhões a 17 milhões de sacas), o que deixa os importadores à vontade.
O Brasil tem hoje um estoque de 35,9 milhões de sacas de café assim distribuído: café disponível, mais safra atual: 25,6 milhões de sacas; estoque do governo, em agosto: 6,3 milhões de sacas; cafés remanescentes 4 milhões.


