São Paulo - O mercado mundial de café tem mostrado vigor como não se via há pelo menos sete anos. Prova disso é a consistente ascensão dos preços do grão, depois de queda recorde em 2002. Naquele ano, a saca de 60 quilos chegou a ser negociada a US$ 40. Agora, vale cerca de US$ 135.
A virada do mercado veio com a gradativa redução da oferta nos países produtores, por causa da baixa rentabilidade da cultura nos últimos anos. Mais recentemente, a disponibilidade de café ficou ainda mais curta em virtude de problemas climáticos no Vietnã (seca) e em países da América Central e México (tempestades e furacões).
Nesse cenário, as atenções estão voltadas para o Brasil, maior produtor e exportador mundial. A safra 2006/2007, cuja colheita começa entre abril e maio, está estimada entre 40,4 milhões e 43,6 milhões de sacas, ou 10 milhões de sacas a mais que no período anterior. ''Se na safra 2006/2007 o País terá café suficiente, o mesmo não ocorrerá nos próximos três ciclos'', prevê o corretor Rodrigo Costa, da Fimat Futures, em relatório distribuído aos clientes.
Segundo ele, embora mais altos, os atuais preços não encorajam a produção, com exceção do Brasil e Vietnã, onde os custos são baixos. Mesmo assim, o Vietnã tem escassas áreas irrigáveis. No Brasil, há consenso de que o plantio desenfreado resulta em excesso de oferta e queda dos preços. Na melhor das hipóteses, o nível de oferta no País deve ser garantido pelo parque cafeeiro, avaliado em 6 bilhões de pés, cuja maior parte teria menos de 10 anos e estaria em condições de produzir bem. ''É improvável que a oferta dê saltos maiores que os já conhecidos'', diz Costa.
Quanto à demanda, acredita-se que a evolução de 1,5% a 2% ao ano será mantida, acompanhando o crescimento da população. O presidente da Tristão Comércio Exterior, Sérgio Tristão, diz que a demanda mundial por café nos próximos cinco anos deve crescer em cerca de 10 milhões de sacas de 60 kg. ''Considerando a taxa média de crescimento do consumo, em cinco anos vamos precisar de mais 10 milhões de sacas'', informa. Ele projeta o consumo global em 2006/2007 de 120 milhões de sacas, para uma produção de 110 milhões de sacas. E faz uma ressalva: ''Se não houver fomento, ou seja, preços remuneradores aos produtores, problemas de oferta podem surgir já em 2007/2008''.
Costa avalia que dois fatores devem ser acompanhados de perto: o ritmo de exportação dos países produtores nos cinco primeiros meses do ano e a utilização dos estoques. O corretor calcula que o consumo brasileiro de café entre janeiro e maio seja de 6,5 milhões de sacas. Considerando exportação de 1,6 milhão de sacas por mês, no início da safra 2006/2007, em junho, o Brasil terá apenas 2 milhões de sacas em estoque.
Até maio, o volume de café disponível no mercado físico será menor em virtude da entressafra. A forma de atender a demanda será a desova dos estoques. O diretor da exportadora Marcelino Martins & Johnson, Sérgio Wanderley, estima que os armazéns contenham 20 milhões de sacas nos países consumidores. Segundo ele, o volume é elevado, considerando a média histórica de 10 milhões de sacas, e pode manter o equilíbrio de oferta e demanda.

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