SÃO PAULO - O café arábica atingiu ontem o maior preço em dez anos no pregão da Coffee, Sugar & Cocoa Exchange, de Nova York. Maio, o próximo vencimento, alcançou a máxima de 279 centavos a libra-peso. Fechou a 277,05, alta de 5,95% em um dia. Julho, o mês de mais liquidez, disparou 6,07%, para fechar em 255,20 centavos. Em apenas três pregões, a alta é de 17,2%. A alta de ontem foi impulsionada pelos rumores de que uma frente fria atingiria as regiões produtoras no Brasil.
O comportamento de ontem dá idéia de como o mercado vai agir durante o inverno brasileiro, afirma o analista Raul de Castro Rocha, da Wolthers & Associates. ‘‘Os importadores foram, até o ano passado, ao limite do jogo dos estoques, mantendo os preços baixos apesar da produção restrita. Perderam a partida’’, avalia David Nahum Neto, secretário geral da Associação Brasileira da Indústria de Café. Ontem, a Associação de Café Verde dos EUA divulgou os estoques do país, principal consumidor mundial: 1,855 milhão de sacas em abril, crescimento de 198 mil sacas em relação a março, alteração dentro da previsão dos operadores, que a consideraram modesta pela necessidade das indústrias.
Safras curtas Para Gilson Ximenes, presidente do Conselho Nacional do Café, entidade que reúne as cooperativas brasileiras, ‘‘o preço vai estourar ainda mais’’. Reforçou a onda altista a previsão de safra da Associação Brasileira dos Exportadores de Café (Abecafé): 24 milhões de sacas para o ano cafeeiro de 1997/98. A Abecafé avalia que essa colheita será insuficiente para atender à demanda, calculada em 15 milhões de sacas para a exportação, 11 milhões para a torrefação e 2 milhões para a indústria do solúvel.
A perspectiva dos exportadores é de que o mercado mantenha os preços elevados além do período de frio no Brasil, por causa das safras também mais enxutas na Colômbia e na América Central. Os colombianos devem colher pouco mais de 10 milhões de sacas. Na safra anterior, foram 14 milhões. ‘‘O quadro é de escassez até meados do ano que vem’’, considera José Sette, diretor secretário da Abecafé. Ele também prevê um longo período de sustentação dos preços no mercado interno, mesmo com um pequeno afrouxamento dos preços atuais, considerados singulares. O mercado nunca esteve tão firme e tem razões para isto, que não apenas o risco ou especulações em torno do clima.

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