Café armazenado há mais de dez anos contém fungo
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quinta-feira, 19 de abril de 2001
Lucinéia Parra De Maringá 
Cerca de 500 sacas de café armazenadas nos depósitos do extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC) em Maringá, Nova Esperança e Loanda, serão eliminadas na próxima semana porque estão contaminadas pelo fungo ocratoxina A, prejudicial à saúde humana. Em todo País, o Ministério da Agricultura detectou a presença do fungo em 17.474 sacas de café de um total de 5,8 milhões de sacas armazenadas nos depósitos do governo federal.
De acordo com o diretor do departamento do café do Ministério da Agricultura, Jaime Junqueira, a maior parte do café contaminado está nos depósitos há mais de 10 anos. Ele disse ontem que o governo ainda avalia uma forma para eliminar as sacas de café com fungo, mas adiantou que uma parte deverá ser doada para os institutos de pesquisas. Devemos doar uma parte para a Embrapa e outras instituições de pesquisa para que seja aproveitado no Programa de Combate de Formação de Mofos em Café, disse Junqueira. O restante, segundo ele, deverá ser incinerado. Mas não temos ainda uma data definida e nem o local, afirmou.
Todo café contaminado pelo fungo, conforme Junqueira, já foi retirado dos depósitos do governo e estão em locais isolados. A presença do fungo foi detectada em análises feitas pelo Laboratório de Micotoxinas do Ministério da Agricultura a partir do segundo semestre do ano passado. Segundo Junqueira, estudos não conclusivos revelam que a toxicidade do café pelo fungo é pequena se comparado a outros produtos. Os estudos revelam que 80% do fungo é eliminado no processo de torrefação, e se estes estudos se confirmarem, os 20% restante de fungo no café não causaria danos à saúde humana. Independente da conclusão dos estudos, entretanto, o governo se antecipou e retirou dos estoques as sacas contaminadas. explicou.
O café contaminado pelo fugo ocratoxina A, apresenta um índice de umidade superior a 13%. Junqueira descartou a possibilidade da contaminação ter sido causada pela má conservação dos depósitos, mas admitiu que o governo federal autorizou a remodulação dos estoques. Os lotes em todo país estão passando por um processo de reinsacamento, disse. Em Maringá, nos três depósitos do extinto IBC estão 1,5 milhão de sacas. A maior parte do café estocado foi colhido entre 1986 e 1988, mas há lotes com mais de 30 anos.


