Café: adiamento de embarques tem impacto na balança
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sexta-feira, 06 de junho de 1997
Agência Estado São Paulo 
O pedido do governo federal, de adiar os embarques de café de junho para julho para amenizar o estouro na quota da APPC, pode ter consequências na balança comercial. Neste ano o Brasil exportou 5,123 milhões de sacas até abril. Maio deve ter ficado em 1,3 milhão. A meta do governo é limitar junho a 600 mil sacas. Total: 7 milhões de sacas no semestre, 1 milhão mais que a quota da APPC.
O presidente da Abecafé, Jorge Esteve, que não participou do encontro no Rio, questiona se este momento de balança comercial fragilizada é o oportuno para tentar frear as exportações. O adiamento das vendas externas, segundo o presidente da Abecafé, implica perda de receita cambial porque os contratos não se fariam com base no vencimento de julho na Bolsa de Nova York, mas sim de setembro. Julho fechou ontem em 237,25 cents a libra-peso, 11% mais que o preço de setembro.
Oswaldo Aranha Neto, presidente da Febec, concorda que não há dúvida sobre o impacto desfavorável na balança, mas ressalva a necessidade de manter o compromisso internacional que cooperou para a alta dos preços do café. Não se pode cuspir no prato em que se come, diz. Na reunião com os representantes da Febec no Rio, o secretário de Produtos de Base do Ministério da Indústria e do Comércio, Mauricio Assis, afirmou que o governo prevê safra brasileira em 1997/98 em torno de 22 milhões de sacas, 2 milhões mais que a estimativa anterior.


