A produção, vendas e as exportações da indústria automobilística brasileira caíram em setembro na comparação com agosto. As montadoras instaladas no País produziram 148,6 mil unidades, um total 12,5% inferior ao de agosto (169,8 mil veículos).
Na comparação com setembro do ano passado, no entanto, quando foram produzidas 136,1 mil unidades, a produção aumentou 9,2%. No acumulado do ano, o total produzido foi de 1,266 milhão de veículos, um crescimento de 22,5% em relação ao mesmo período de 1999 (1,033 milhão de unidades). Os números foram divulgados ontem pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em São Paulo.
As vendas de veículos nacionais e importados no mercado interno no atacado (das fábricas para as concessionárias) totalizaram 129 mil unidades em setembro, uma redução de 8,5% em relação a agosto e um aumento de 1,70% na comparação com o mesmo mês de 1999. No ano, as vendas no mercado brasileiro no atacado somam 1,079 milhão de unidades, número 9,2% maior que o registrado no mesmo período do ano passado. No varejo (das concessionárias para os consumidores), foram comercializadas 117 1 mil unidades em setembro, uma queda de 12,7% em relação a agosto. No ano, as vendas no varejo somam 1,016 milhão de unidades.
Já as exportações totalizaram US$ 325,4 milhões, resultado 9,7% inferior ao de agosto, quando foram exportados US$ 360,3 milhões. No acumulado do ano, o total comercializado no mercado externo alcançou US$ 2,870 bilhões, um aumento de 12 1% em relação ao mesmo período do ano passado (US$ 2,559 bilhões).
Apesar da queda na produção, vendas e exportações da indústria automobilística brasileira em setembro, a Anfavea manteve suas expectativas para este ano. De acordo com o vice-presidente da entidade, Pérsio Luiz Pastre, as previsões são de uma produção de 1,650 milhão de unidades, de vendas internas de 1,450 milhão de veículos e de exportações de US$ 4 bilhões em 2000.
A Anfavea atribuiu os resultados inferiores de setembro ao menor número de dias úteis no mês, ao feriado de 7 de setembro e às eleições. Pastre ressaltou que, mesmo com a queda de 12,5% na produção de setembro em relação a agosto, a média diária produzida no mês passado foi superior em 0,7% na comparação com o mês anterior. As vendas diárias no varejo em setembro, segundo ele, aumentaram 0,5%.
Pastre afirmou que a Argentina está ‘‘dando um tiro no p钒 ao exigir no decreto do acordo automotivo do Mercosul que o conteúdo local de 30% inclua componentes e matérias-primas dos veículos. ‘‘Quando se impõe uma meta inatingível o resultado não pode ser positivo’’, disse Pastre, que também é diretor da Fiat Automóveis.
Segundo o executivo, o cumprimento do decreto argentino em relação ao conteúdo tornaria a produção naquele país inviável em razão da elevação dos custos. Apesar disso, Pastre acredita numa solução entre os governos dos dois países.
Em sua opinião, a indústria automobilística cumpriu seus papel durante a reunião da última terça-feira entre os dirigentes de montadoras e o secretário da Indústria da Argentina, Javier Tizado, em Buenos Aires. ‘‘Fizemos nossa parte’’, disse. ‘‘Os governos agora já têm informações suficientes para trabalhar’’, afirmou Pastre, lembrando que o próximo encontro entre representantes dos governos dos dois países está marcado para o dia 19.