Cadeia produtiva do feijão se moderniza
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sexta-feira, 30 de setembro de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O potencial de exportação do feijão está modernizando a sua cadeia produtiva. De olho nesse mercado, a empresa paranaense Brazil Foods lançou ontem, em Curitiba, o feijão rastreado que será o primeiro de uma série de produtos que a empresa está se preparando para lançar no mercado externo. O feijão rastreado terá sua produção acompanhada desde o plantio da semente, desenvolvimento na lavoura, até o empacotamento.
Como a rastreabilidade é um dos pré-requisitos de exportação de produtos alimentares, a Brazil Foods decidiu disponibilizar o produto simultâneamente no mercado interno. A apresentação foi feita na Associação Paranaense de Supermercados (Apras) para as 100 maiores empresas do setor. Na próxima semana, o feijão rastreado será lançado na Alemanha durante a Anuga Fair, considerada a maior feira de alimentação do mundo.
A segunda etapa para abrir o mercado externo será o lançamento do feijão industrializado. A Brazil Foods já está negociando parcerias com cooperativas do Paraná, Santa Catarina e produtores do Centro-Oeste do País, que deverão participar da produção de variedades exclusivas para a indústria.
De acordo com o presidente da Brazil Foods, Marcelo Eduardo Luders, o Paraná reúne todas as condições para alavancar as exportações de feijão. O Estado é o maior produtor do País e os produtores dominam as técnicas nas lavouras. Por isso o Estado pode ganhar o mercado mundial como acontece atualmente com a soja. O Paraná não tinha tradição nenhuma nesse tipo de lavoura e hoje se destaca como o segundo maior produtor.
''Se houver um trabalho integrado da cadeia produtiva, o feijão poderá ser mais uma alternativa de exportação para o agronegócio paranaense'', afirmou Luders. O Paraná poderá se destacar como maior produtor de soja, milho, feijão e feijão para exportação. Além do feijão rastreado, a Brazil Foods vai lançar no mercado externo café, açúcar e amendoim com rastreabilidade.
O consumo interno de feijão nos Estados Unidos está crescendo 12% ao ano e na Europa o crescimento é menor, mas o aumento das imigrações árabes e da África está estimulando o consumo do cereal. Como o Paraná é o maior produtor nacional, empresas e entidades de pesquisas se uniram para o desenvolvimento de variedades mais consumidas no mercado externo.
A Embrapa desenvolveu sementes de feijão rajado, mais oval, conhecido como ''cramberry'' e um feijão vermelho para atender a Europa. Essas variedades são mais consumidas no Oriente Médio e África e estão em expansão nos países europeus. A empresa Brazil Foods está firmando parcerias com pequenos produtores para que plantem essas variedades. ''Como a produção será destinada à exportação e a nichos de mercado no consumo interno, certamente a valorização do produto será melhor'', acredita Luders. Para participar desse sistema, as lavouras serão auditadas por empresas certificadoras.


