Cadeia do trigo pede regras para importação
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quinta-feira, 14 de agosto de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Entidades que representam a cadeia produtiva do trigo no Paraná reivindicam que o governo federal interfira nas regras que regulam as importações de farinha de trigo aditivada da Argentina. A mobilização envolve a Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Sindicato e Organização das Cooperativas Paranaenses (Ocepar) e Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), que é sediada no Estado.
De acordo com Carlos Augusto Albuquerque, assessor da presidência da Faep, enquanto o governo argentino impôs uma tarifa de 20% para exportar trigo em grão e farinha pura, produtores de farinha aditivada com 0,3% de sal pagam apenas 5% para venderem ao Brasil.
A diferença torna a farinha nacional pouco interessante para o comprador brasileiro. ''Essa farinha nem é aditivada com fermento ou outros produtos, apenas foi maquiada com um pouco de sal'', denunciou. Outra consequência dessa prática é a baixa demanda pelo trigo brasileiro, que está perdendo preço. ''Trata-se de concorrência desleal.''
A reivindicação do setor produtivo brasileiro é que o governo brasileiro pressione a Argentina para que o País eleve a alíquota da pré-mistura de farinha. Se essa possibilidade for descartada, as entidades querem que o Brasil estabeleça uma taxa compensatória de 15% para que a farinha aditivida argentina entre em território nacional.
Segundo o engenheiro agrônomo Flávio Turra, da gerência técnica da Ocepar, a expectativa do setor é que o governo encontre uma solução para o impasse o mais rápido possível. A preocupação é que a conjuntura prejudique a comercialização da safra de trigo que começa a ser colhida.
Após três anos de quebra, a atual safra deve ser normal, com volume para atender a 50% das necessidades dos moinhos brasileiros.


