Cadeia do algodão que levar EUA à OMC
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de julho de 2002
Agência Estado 
Washington Os produtores de algodão e os líderes da indústria têxtil prometem juntar forças para convencer o governo a preparar mais uma ação de contestação do protecionismo agrícola dos Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo já tem prontas ações contra os programas norte-americanos de subsídio da soja, que distorcem o mercado internacional, e as barreiras à importação de açúcar. A decisão final sobre a apresentação formal dessas queixas ainda não foi tomada em Brasília. ''É preciso vontade política e nós vamos fazer pressão sobre o governo para que defenda os interesses do produtor brasileiro na OMC'', disse à Agência Estado o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, Jorge Maeda.
Ele viajou a Washington para participar de uma conferência de dois dias organizada pelo Banco Mundial sobre o Algodão e as Negociações sobre o Comércio Global. O vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil, Oscar Augusto Rache Ferreira, que também participou da reunião, disse que o setor participará da campanha de lobby.
''Nós investimos US$ 8 bilhões para modernizar a indústria e hoje enfrentamos as consequências desse protecionismo nos Estados Unidos, que deprime os preços internacionais e pode provocar uma queda da produção de mais de 15% este ano no Brasil'', disse Rache Ferreira. ''A doença, o vírus, o mal com que o mercado internacional se depara tem um nome: chama-se subsídios agrícolas'', disse João Luiz Ribas Pessa, conselheiro da Abrapa, em discurso feito ontem na conferência.
O secretário do ministério da Agricultura, Pedro Camargo Neto, que representou o ministro Marcos Vinícius Pratini de Moraes no encontro, disse que a recém-aprovada Lei Agrícola americana (Farm Bill) ''piorou muito um programa de subsídios que já era ruim''. Este ano, Washington deve desembolsar US$ 3,6 bilhões aos plantadores americanos de algodão.
''Como maior exportador, este País precisa compreender que o que é aprovado em Washington tem extensas consequências fora dos EUA'', disse ele. ''Algodão que atinge o mercado internacional apenas por causa de subsídios, a um preço que nada tem a ver com os custos de produção, contribui também para a inquietação social - a imensa riqueza do mundo desenvolvido não poder ser usado para criar pobreza nos países em desenvolvimento''.
A denúncia do programa de subsídios americanos ao algodão foi reiterada por praticamente todos os países representados na conferência - principalmente os da África, que dependem crucialmente da exportação da commodity.


