O diálogo com a sociedade está no DNA da londrinense PZL Eletrônica. As duas linhas de produtos eletrônicos da empresa nasceram da necessidade de terceiros. Ela desenvolve produtos para área de laticínio e saúde. "Sempre foi muito natural essa conversa com os outros segmentos. A empresa nasceu da necessidade de fazer um equipamento que detecta fraude no leite. A área de saúde surgiu da demanda de um médico. A sociedade dá a ideia e transformamos ela em um produto", explicou Breno Francovig Rachid, diretor industrial da empresa.
Rachid acredita que a organização da inovação irá fomentar a cadeia de fornecedores. A indústria teve dificuldade com a metalurgia pesada, principalmente de dobra, solda e torno. "Tentamos diversos fornecedores, mas para resolver a nossa demanda tivemos que abrir uma outra empresa. Nossa maior dificuldade era em encontrar fornecedores que entregassem um produto de qualidade e corte padrão", disse o diretor. Parte das chapas vem de fora do Estado. Na indústria eletrônica 80% da matéria-prima é de fora.
Segundo ele, a mesma dificuldade ocorre na cadeia de pesquisa. Hoje, os parceiros da PLZ são do Canadá, Estados Unidos e Alemanha. "As instituições (brasileiras) são fechadas. Por regulamento, os professores não podem abrir o conhecimento interno para fora. Se você não consegue uma pessoa específica e disposta a desenvolver um trabalho, você fica travado. É mais complicado a parceria do conhecimento do que a fabril", avaliou Rachid.

ESTRATÉGIA
Guilherme Eiras, dono da Yuze, afirma que cidade tem "players pontuais" que despontam em determinadas áreas, mas falta interação entre eles. O empresário considera que Londrina tem um potencial muito grande, principalmente na área química e de materiais, como aponta o levantamento da Fundação Certi, mas é preciso desenvolver o ecossistema de inovação.
Ele diz que ser necessário trabalhar o desenvolvimento de fornecedores, pois há "desinteresse da cadeia". A empresa compra em Curitiba e Maringá, pois não encontrou um fornecedor local para atender a demanda de corte a laser em metal.
"É preciso ter capacidade técnica e estratégia concreta para acessar o mercado", alega. Manter parcerias com agências de fomento é importante para essa estratégia. "Contamos com parceiras com o Sebrae e participamos de feiras com a Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos)", contou.
Eiras iniciou sua startup desenvolvendo um projeto com cerâmica odontológica, mas percebeu um novo nicho de mercado e se voltou para a produção de utilidades domésticas, como facas e abridores de lata. Assim nasceu a Yuze, que exporta para 23 países e desenvolve tecnologia para a Suíça e Brasil.

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