Organizar o setor produtivo e ganhar novos mercados ainda é o grande desafio da cadeia produtiva da mandioca no Brasil. A afirmação foi feita ontem pelo pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Doutor Carlos Estevão Leite Cardoso. Ele foi um dos palestrantes de ontem do 12º Congresso Brasileiro da Mandioca, realizado em Paranavaí. O evento vai até sexta-feira e reúne pesquisadores, produtores e empresários do setor do
Brasil e de países da América Latina e Ásia.
De acordo com Cardoso, o setor da mandioca ainda não conseguiu se organizar como outros produtos agrícolas. Essa falta de definição de preços e até mesmo de tecnologias de plantio e manejo acabam prejudicando a cadeia produtiva. Mesmo assim, ele destacou que o Paraná é hoje uma referência dentro do país em questão de produtividade e previsões de preços no mercado.
Apesar do Paraná produzir menos raiz que o Pará e a Bahia. O Estado concentra 65% da produção nacional de fécula - considerada o produto mais nobre extraído da mandioca e com o maior valor agregado. Esse é um dos motivos que fazem do Paraná uma referência na questão de preços para o setor.
Outra vantagem do Paraná é em relação a produção de tonelada/hectare. Enquanto os agricultores paranaenses chegam a colher até 40 toneladas por hectares, no Pará, o número não chega a 16. ''Aqui se tem tecnologia, um clima apropriado e um solo que ajuda a produção. Esse tripé faz o estado se destacar'', frisou.
O pesquisador acredita que ainda existe um grande mercado para ser explorado e no futuro o amido pode se tornar uma comodite. ''Acho que o amido pode se tornar commodity com preços internacionais, mas a raiz não deve chegar a esse patamar. Algo diferente do milho, que tem preços internacionais para o grão e também para o amido'', explica.
Para ele, o amido de mandioca ainda tem um campo de crescimento. Hoje, os Estados Unidos usam o amido de milho em seus produtos, a Europa usa de batata, milho e trigo, já a Ásia tem apostado na mandioca. Na visão de Cardoso, esse é um grande mercado que ainda tem muito a ser explorado. Hoje, o maior produtor mundial de fécula de mandioca é a Tailândia e o Brasil tem apenas uma pequena porção desse mercado.
Em um trabalho apresentado pelo pesquisador durante sua palestra, ele demonstrou que desde 2001 o amido de mandioca tem tido um preço competitivo em relação ao trigo. Cardoso mostrou aos participantes que com todas as variações do mercado entre os dois produtos, o amido de mandioca tem 58% de possibilidade de ter um preço igual ou inferior ao do trigo.
''Esse é um número real que mostra a competitividade do produto. Com a obrigatoriedade da adição de 2% do amido de mandioca na farinha de trigo, a questão do custo vinha sendo usada como barreira'', esclareceu.
Além dos desafios de organização da cadeia, Cardoso lembrou que a mecanização da mandioca para produção de grandes áreas também é um desafio do setor enfrentado pelo setor e que deve ser resolvido nos próximos anos. ''No Paraná isso tem sido feito bem. Até mesmo em regiões tradicionalmente usadas para o plantio de grãos, os agricultores usam a mandioca como um descanso para terra e conseguem bons resultados'', argumentou.

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