Cadeia da carne se preocupa com missão da UE
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terça-feira, 30 de agosto de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba Os integrantes da cadeia produtiva da carne estão tensos com a chegada de uma missão veterinária da União Européia, que vem conferir o sistema de rastreabilidade no Brasil. A preocupação é com a possibilidade dessa missão recomendar o cancelamento das importações brasileiras de carne, por não estar satisfeita com as mudanças ocorridas no sistema brasileiro, ocorrido há cerca de seis meses. No primeiro semestre deste ano, o País exportou 674 mil toneladas de carne bovina e faturou US$ 1,44 bilhões, dos quais 60% do faturamento veio do bloco europeu.
A missão da UE chegou ontem ao País e, durante 15 dias vai visitar fazendas, frigoríficos, certificadoras, unidades de inspeção sanitária e postos de fronteira em sete Estados brasileiros habilitados a exportar carne bovina. São três grupos técnicos, que incluem representantes da defesa e inspeção animal, que vão percorrer os Estados do Paraná, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Espírito Santo.
No Paraná, a missão chega no próximo dia 6 e fica por uma semana na região Norte do Estado, onde vai visitar dois frigoríficos exportadores de carne bovina em Maringá, Margen e Garantia. O frigorífico de abate de cavalos King Meet, em Apucarana, também será vistoriado. A missão visita ainda as fazendas que fornecem animais para os frigoríficos e uma certificadora, em Londrina.
Para o presidente do Sindicato da Indústria da Carne do Paraná (Sindicarne), Péricles Salazar, há o receio de que a missão não aprove as alterações feitas no sistema de rastreabilidade brasileiro. Segundo admitiu o próprio Ministério da Agricultura, os representantes da UE rejeitaram essa alteração na última reunião ocorrida em junho, em Bruxelas. O diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) do Ministério da Agricultura, Nelmon Oliveira, adiantou que o governo federal e produtores vão esperar o resultado da missão para implementar os ajustes no sistema de rastreabilidade.
A missão vai checar informações e procedimentos nas áreas de inspeção, saúde animal e o Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov), que faz o monitoramento dos animais que, após o abate, serão destinados à exportação.
Segundo Salazar, antes o Ministério da Agricultura exigia a rastreabilidade de todos os animais, os que seriam vendidos para exportação e também para o mercado interno. Com as dificuldades de implantação do programa e custos altos, o ministério decidiu que a rastreabilidade seria exigida somente dos animais que seriam abatidos com vistas à exportação.
Os europeus não gostaram dessa alteração e aproveitaram para reforçar a falta de credibilidade nas regras brasileiras, disse Salazar. Segundo ele, mudou o conceito que o País tinha no mercado internacional.


