Carmem Murara
De Curitiba
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) começa a partir desta semana a investigar as denúncias de concentração de mercado, venda casada e cartel das maiores redes supermercadistas de Curitiba. As informações foram obtidas ontem pela manhã, durante o Fórum Permanente da Concorrência, feito no plenário da Assembléia Legislativa. As acusações contra as redes Carrefour, Sonae, Extra e Wal Mart foram feitas pelos fornecedores de produtos industriais, hortigranjeiros e consumidores.
O presidente do Cade disse ter ficado satisfeito com as informações colhidas e pretende usar o estudo feito no Paraná para embasar as ações do Cade em todo o País. ‘‘Nós viemos aqui para ouvir o que a sociedade tem a dizer e com base nisso vamos agir’’, afirmou, após o encontro de duas horas. O que mais surpreendeu os membros do Cade foram as taxas cobradas pelos supermercados aos fornecedores.
Algumas taxas como a de rapel (fidelidade pela compra) e enxoval (doação de mercadoria quando se abre nova loja) sequer eram conhecidas pelo Cade. Há ainda verbas que precisam ser pagas pela publicidade que o mercado faz na mídia, pelo cadastramento de novo produto e até aluguel da gôndola. Estas tarifas não eram praticadas até a chegada das grandes redes no Estado.
Os preços das tarifas variam de R$ 2 mil a R$ 20 mil, ou até mais, conforme o porte do fornecedor, disse ontem o diretor da Associção Paranaense dos Fornecedores de Supermercados e presidente do Sindicato da Indústria da Carne, Péricles Salazar. Ele fez um discurso inflamado contra a os supermercados. ‘‘A prepotência e arrogância que trouxeram ao nosso Estado é impressionante. Nós somos obrigados a aceitar, pois, senão, os contratos com eles são desfeitos’’, reclamou.
A Folha tentou ouvir as quatro redes supermercadistas mas obteve retorno apenas da Sonae e Extra. A Sonae enfatizou o acordo que garante a suspensão da venda de produtos abaixo do custo de produção. O Extra disse que ‘‘em nenhum momento colocou obstáculos à comercialização de produtos paranaenses e que o setor de frutas e verduras é abastecido por fornecedoras locais’’. Em nota oficial, a empresa disse ainda que mantém negociações ‘‘cordiais, saudáveis e não predadórias’’.
Na mesma linha das reclamações dos produtores industriais, falaram os representantes dos hortigrajeiros e até a diretora da Associação das Donas de Casa de Tubarão (SC), Arlete Nunes. ‘‘Queremos qualidade e produtos da região para valorizar o que é nosso’’, disse dona Arlete.

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