Aprovado na quarta-feira pelo Senado, o Cadastro Positivo - instituído pela Medida Provisória 518 - já pode ser preenchido nos sites de pelo menos duas instituições: o Serasa (www.serasa.com.br) e a C&M Software, que criou o portal www.maxxipositivo.com.br. O novo serviço é apontado por ambos como o fim da era das listas sujas de consumidores e promessa de juros mais baixos e descontos para quem é bom pagador. Mas é visto com cautela pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).
Em entrevista à FOLHA, o presidente da C&M Software, Orli Machado, disse que o site que entrou no ar há um mês, mesmo antes da aprovação da MP pelo Congresso, já conta com cerca de 10 mil cadastros e espera atingir a marca de 10 milhões até o fim do ano. Segundo Machado, apenas empresas como as que oferecem serviços de crédito e os provedores de bases de dados estão autorizadas a oferecer o serviço.
''Cerca de 50 grandes empresas já nos contrataram'', afirmou. ''O Cadastro Positivo é um mundo novo. O Brasil só tinha a figura do consumidor negativo. Agora o que vale é o positivo'', disse.
Para ter o cadastro aprovado e disponibilizado no maxxipositivo, o consumidor precisa preencher antes um extenso questionário com dados pessoais e bancários. Depois, terá de imprimir um contrato, assiná-lo, digitalizá-lo e enviá-lo para a empresa por meio do site. Também precisará digitalizar e enviar documentos pessoais e comprovante de renda. O serviço é gratuito.
Machado explicou que o Cadastro Positivo prevê nota de 0 a 100 para o consumidor. ''Após a análise do cadastro, de acordo com o perfil do usuário, ele vai ganhar um score inicial. E esse score vai aumentando ou reduzindo de acordo com seu comportamento como consumidor'', explicou.
Ele ressaltou que a vida anterior do usuário não será pesquisada. ''O cadastro começa a partir de agora.'' Segundo o presidente da empresa, as listas sujas existentes hoje são muito restritivas. ''A pessoa, quando está com o nome lá, não tem direito a nada, não pode comprar, não pode ter talão de cheque. Com o Cadastro Positivo é diferente. Vai depender de como vai se comportar sua avaliação, seu score''. Os usuários, segundo ele, poderão sair do cadastro no momento em que quiserem.
Comércio
Para o presidente da Acil, Nivaldo Benvenho, o cadastro ''veio para ficar''. Mas deve ser visto com cautela. ''Nosso receio é que, em vez de servir para ofertar juros mais baixos para o bom pagador, as instituições financeiras usem o cadastro para elevar os juros dos demais'', declarou.
Benvenho disse que considera improvável que os comerciantes ofereçam descontos para os consumidores do cadastro. ''Sempre tivemos mecanismos para saber quem é bom pagador (listas sujas). Se o comerciante tivesse condições de dar esses descontos, eles já poderiam fazer isso antes'', alegou.
De acordo com o presidente da Acil, o Cadastro Positivo serve mais para o sistema financeiro que para o comércio. ''Podemos esperar que os bancos promovam uma enxurrada de crédito para as pessoas que estão no cadastro.''

mockup