Cada um se vira como pode
Assim como em outras regiões, o crescimento da informalidade não é diferente em Londrina: basta andar pelas ruas e feiras livres para ver a técnica mais antiga, no caso o crochê, ser expostas sobre calçadas.
A pensionista Irene Barbosa Ramalho, de 64 anos, é uma crocheteira de mão cheia. Ela tem problemas de pressão alta e depressão, mas não consegue viver longe das agulhas. ''É uma forma de aumentar a minha renda'', diz ela, que tem se dedicado ao crochê há pelo menos 15 anos.
Além de trazer satisfação, Irene vê a arte de crochetear como um passa tempo muito prazeroso, e uma forma de ganhar um dinheiro extra. Os quatros pontos básicos se transformam em várias peças, mas o forte mesmo são os chapéus que ela vende na calçada da Praça da Bandeira, ao lado da Catedral.
Acostumada a trabalhar desde os 4 anos de idade - nesta época ela já raleava algodão com o pai - Irene diz que não consegue ficar parada. Porém, ela tem consciência das dificuldades que os idosos têm de encontrar empregos num País que não aceita pessoas com idade avançada.''Eu não aguento mais trabalhar na roça ou de doméstica, fazer crochê foi um serviço que Deus me ensinou'', conta Irene, que vende os chapéus por R$ 5 (para crianças) a R$ 10 (adultos). Cada novelo de linha custa entre R$ 4 a R$ 5 e dá para fazer dois chapéus.
''Hoje (dia da entrevista) ainda não vendi nenhum. E ontem consegui vender apenas um. Este mês está muito difícil, o pessoal não tem dinheiro'', conta ela, que já chegou a vender três chapéus por dia em épocas de vacas gordas''. ''Quero ver se consigo pelo menos pagar os meus remédios esse mês com o crochê. Só hoje gastei R$ 40 com medicamento''.(V.B.)





