A instabilidade da economia russa não deverá modificar de imediato o programa de exportações da Companhia Cacique de Café Solúvel de Londrina. A empresa está entre as maiores exportadoras brasileiras para a Rússia, detendo 29% do mercado de café solúvel daquele País, o que representa 120 milhões de latas do produto/ano. A informação é da assessoria de imprensa da empresa.
‘‘Não sentimos, em um primeiro momento, nenhum reflexo desta crise, que na verdade é mundial’’, afirmou a assessoria de Coimbra. A direção da companhia, que comercializa no exterior o café solúvel Pelé, entende que a crise que assolou a Rússia não exige mudança de planos nos contratos já estabelecidos.
O mercado russo responde por 53% do total das exportações do café solúvel brasileiro. E embora não exista previsão de recuo de vendas por parte da indústria londrinense, as exportações do produto para o mercado russo tiveram queda significativa de janeiro a junho deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), o volume exportado foi 24,28% menor. A receita caiu 22%.
No primeiro trimestre deste ano, houve queda de 62% no volume das exportações em relação ao mesmo período de 97, segundo a Abics. Segundo a entidade, esta retração ocorreu também em virtude da crise asiática, que refletiu na redução do preço da matéria-prima dos concorrentes internacionais.
Ainda de acordo com dados da Abics, o mercado do café solúvel brasileiro sofreu perdas significativas neste semestre, amargando decréscimo de 19,37% em volume exportado e 12,7% no total da receita, em relação ao desempenho registrado no mesmo período de 97. Entre janeiro e junho deste ano, as indústrias de solúvel exportaram 18.778 toneladas, contra 23.289 negociadas no mesmo período do ano passado. A receita caiu de US$ 153, 82 milhões para US$ 134,28 milhões.
O resultado negativo, segundo a entidade, está relacionado ao preço do café brasileiro - que perde competitividade no mercado internacional. Mas os abalos da economia da Rússia e do Japão também estão entre os fatores citados pelas empresas brasileiras produtoras de café solúvel como responsáveis pelas sucessivas quedas. (Pedro Livoratti)

mockup