SÃO PAULO - A Companhia Cacique de Café está importando 20 mil sacas de produto torrado da Índia. A decisão foi tomada após acordo em reunião informal no Conselho Deliberativo de Política Cafeeira (CDPC), em que os representantes da produção se comprometeram a não obstruir compras do Exterior em regime de drawback de países integrantes da Associação dos Países Produtores de Café (APPC). O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café.
Durante cinco meses os representantes da lavoura no CDPC resistiram à proposta de drawback da indústria de solúvel. Segundo Gilson Ximenes, presidente do Conselho Nacional do Café, entidade que reúne as cooperativas, a Cacique está se ‘‘antecipando’’. ‘‘O que foi conversado informalmente é de fazer drawback com países da APPC’’, afirma. A India não faz parte da entidade.
Havia quatro anos que uma indústria de solúvel não importava matéria-prima. Na primeira tentativa os processadores tiveram dificuldade em liberar o café, trazido ainda verde, sob a alegação de ‘‘problemas sanitários’’. O presidente da Companhia Cacique, Sérgio Coimbra, informou que o produto indiano será trazido já torrado, para evitar qualquer risco de contaminação.
Saca a US$ 67 O café está sendo trazido a granel, a um custo total de US$ 67 a saca, com entrega no Porto de Paranaguá. A saca de conillon, semelhante ao produto da Índia, custa na faixa de US$ 85-US$ 90. Coimbra, que também é presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), informou que a entidade pretende organizar um ‘‘pool’’ para importação, a fim de baratear custos, principalmente de transporte.
Os torrefadores, que no ano passado trouxeram quase 9 mil sacas do Equador, não pretendem repetir novas importações no curto prazo, diz Américo Sato, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café. Os leilões mensais complementam o abastecimento da empresa, considera. Em tese, diz Sato, a Abic avalia a importação como uma medida correta toda vez que houver escassez acentuada do produto.

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