Cacique homenageia Horácio Coimbra
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sexta-feira, 07 de novembro de 1997
Guto Rocha Londrina 
Arquivo Folha
Divulgação
HistóriaO Memorial que será inaugurado hoje representa a trajetória do café, da colheita ao consumo no mundo. Acima, Coimbra recebe, em 1971, Globo de Ouro Exportação do Presidente Emílio Garrastazu Médici
A Companhia Cacique de Café Solúvel presta hoje uma homenagem póstuma a um dos seus fundadores e um dos maiores incentivadores da cultura do café no Paraná, o pioneiro e empresário Horácio Sabino Coimbra. A empresa inaugura hoje de manhã, a partir das 11h30, o Memorial Horácio Sabino Coimbra e o parque industrial que leva o mesmo nome. A inauguração será acompanhada por várias autoridades, entre elas, a vice-governadora, Emília Belinati, o deputado federal, Delfim Neto, o prefeito Antônio Belinati e o ex-governador de São Paulo, Abreu Sodré, senador Romeu Tuma, deputado federal Luiz Carlos Hauly.
O memorial se constitui de uma obra de arte executada pelo artista plástico de Londrina, Luiz Trevisan, e mostra em um grande painel em alto-relevo a trajetória do café solúvel, desde a lavoura, com seus trabalhadores na colheita, até o produto na xícara, com o globo terrestre representando o mercado conquistado pela Cia. Cacique. O memorial e o parque industrial foram concebidos pela Câmara Municipal de Londrina, com apoio da Prefeitura Municipal.
Horácio Sabino Coimbra, nasceu em São Paulo, no dia 27 de abril de 1923, em uma família tradicional e empreendora, que esteve ligada à política e à agricultura. Com menos de 20 anos, Coimbra se associa a um amigo de infância, Zurita, e funda uma empresa para comercializar a produção agrícola das propriedades da família.
Em 1948, Horácio Coimbra, então com 25 anos, transfere-se para o Norte do Paraná, e escolhe Londrina para se fixar. O empreendedor veio com a missão implantar empreendimentos agropecuários, principalmente no setor cafeeiro.
Como pioneiro, Coimbra sentiu as mesmas dificuldades que todos que aqui chegavam, principalmente a falta de um banco que fomentasse com crédito ágil o desenvolvimento da nova fronteira agrícola. Este foi um dos primeiros desafios que Horácio Coimbra, juntamente com outros pioneiros, vencia na nova terra. Ele funda em 1952, em sociedade com produtores e comerciantes locais, o Banco Nacional do Paraná e Santa Catarina, que ficou conhecido como Nossobanco, a primeira empresa de capital aberto do Brasil. O Nossobanco chegou a ter 55 agências. Mas, depois de consolidar o trabalho junto ao Nossobanco, Coimbra deixa as atividades financeiras para se dedicar em tempo integral ao seu mais novo empreendimento: a fábrica de café solúvel.
No final dos anos 50, o empreendedor percebe que era irreversível a industrialização dos produtos agrícolas para exportação. Com seu tino visionário, Coimbra convence um grupo de amigos, entre eles Aroldo Sardenberg, Anibal Siqueira Cabral e outros, que a industrialização do café era viável. Um dos argumentos do empresário era o de que um dia os mercados consumidores de chá, como Japão e China, um dia se tornariam grandes consumidores de café solúvel.
Antes mesmo de a indústria ser inaugurada, Coimbra abre as cortinas de ferro e inicia relações comerciais com a então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e demais países do bloco comunista. E quando a Cia. Cacique de Café Solúvel foi inaugurada, em abril de 1966, a produção foi iniciada imediatamente para atender os novos clientes, como Estados Unidos, países da Europa Ocidental além da URSS e Polônia. Em 1967, por indicação do governador de São Paulo, Abreu Sobré, e do governador do Paraná, Paulo Pimentel, Horácio Coimbra assume a presidência do extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC).
O sucesso do empreendimento e o arrojo comercial de Coimbra fazem com que os contratos de exportações crescessem rapidamente. Dois anos após a inaguração, a indústria de solúvel duplica sua capacidade de produção, passando de 10 mil para 20 mil toneladas/dia. Conquistado o mercado externo, com a presença dos produtos Cacique em 14 países, a briga agora era pelo mercado interno. No final de 1969 o solúvel Cacique era lançado no mercado brasileiro.
Em 1970, a Cia. Cacique atinge a marca dos US$ 20,9 milhões tornando-se a maior exportadora do Brasil. A façanha foi premiada em 1971 com o laurel Globo de Ouro Exportação, que Horácio Coimbra recebeu do então presidente da República, Emílio Garrastazu Médici. No ano seguinte, Horácio Coimbra foi homenageado pela Brazilian American Chamber of Commerce em Nova York, onde recebeu o título Homem do Ano. Em 1978, a Cia. Cacique recebe na Alemanha a Medalha de Ouro da Feira de Leipzig pelo trabalho realizado no estreitamento das relações comerciais entre Brasil e Alemanha.
A confiança na industrialização do País faz com Coimbra invista na implantação de uma fábrica de embalagens. E os negócios foram crescendo e se diversificando, com a criação da Cacique Alimentos, Cia. Cacique de Armazéns Gerais, Cacique Agrícola, Cacique Importadores e Exportadora, que levou a instalação de duas empresas no exterior: a Brazil-Coffe Corporation, em Nova York, e a Cacique Instant Coffee, em Londres.
Mais tarde, em 1989, o grupo Cacique volta ao mercado financeiro, transformando a Cacique Financeira, em Banco Cacique, que opera em carteiras comerciais, de investimento e crédito direto ao consumidor.
Em novembro de 1993, o empresário Horácio Coimbra morre em Paris, França, vítima de uma parada cardíaca. Os negócios da família foram assumidos pelos filhos, Sérgio Coimbra e Cesário Coimbra.


