Cacique deixa de faturar US$ 15 mi
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segunda-feira, 19 de maio de 1997
Cláudia Lopes 
A Cia. Cacique de Café Solúvel vai perder US$ 15 milhões em sua receita de exportação e deixará de recolher R$ 1,3 milhão entre impostos estaduais e federais com a paralisação da produção por 20 dias, segundo o presidente da empresa, Sérgio Coimbra. As férias coletivas de 580 funcionários do setor operacional da indústria começaram ontem. A empresa decidiu interromper sua produção para esperar uma decisão do governo sobre o preço do café. Com os preços atuais não estamos conseguindo ser competitivos no mercado externo, afirma.
A saca do café conilon, o tipo usado na produção de café solúvel, está custando US$ 111 em Vitória (ES), segundo ele. Além do frete, que custa cerca de R$ 3 por saca, diz. No mercado internacional, os concorrentes pagam 29% menos pelo produto. Existem opções mais baratas lá fora. Na índia, o café torrado custa US$ 67 a saca. Na Indonésia, US$ 88 a saca.
A alta do preço do produto nacional, que até o final do ano passado custava entre US$ 75 e US$ 80 a saca (conilon), foi causada pela queda na produção interna (devido a intempéries) e pela superprodução no exterior. O preço deve ser mantido alto até junho do próximo ano, prevê Coimbra, que preside a Associação Brasileira das Indústrias de Café Solúvel (ABICS).
Das 11 indústrias de café solúvel do País, oito paralisaram suas produções em janeiro deste ano e hoje operam com uma parte ociosa. No início do ano, 90 mil sacas do estoque do governo foram leiloadas ao preço de mercado internacional. Isso, aliado a alguns contratos anteriores de compra, nos deu fôlego para continuar produzindo.
No mês passado, a indústria obteve a liberação para importar 20 mil sacas de café torrado da Índia, a US$ 67 a saca, pelo sistema de drawback (importação de matéria-prima para fabricação de produto para exportação). A operação foi suspensa a pedido dos cafeicultores, segundo Coimbra. O governo também não vê a operação com bons olhos porque pode perder US$ 200 milhões de divisas com o drawback. Na semana passada, o empresário tratou do assunto com o ministro Francisco Dorneles, da Indústria e Comércio. Resolvemos esperar 20 dias para o governo anunciar sua decisão. Se isso não acontecer, vamos passar a comprar no sistema drawback, afirma. Caso isto aconteça, Coimbra garante que não haverá demissões na Cacique. Como o café já vem torrado, deveremos deslocar os funcionários da torrefação para outros setores.
A Cacique, a maior fábrica de café solúvel do mundo na mesma unidade, consome cerca de 50 mil sacas de café verde por mês, produzindo 70 toneladas de solúvel/dia. Cerca de 97% da produção é exportada para 46 países.


