Cacique dá férias coletivas para 500
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quarta-feira, 30 de abril de 1997
Cláudia Lopes 
Milton Dória
Emprego ameaçadoLinha de produção de café solúvel da Cacique em Londrina e, na foto de baixo, o diretor Sandenberg: demissões não estão descartadasA Cia Cacique de Café Solúvel vai interromper sua produção em Londrina por 20 dias a partir do próximo dia 12, dando férias coletivas a cerca de 500 funcionários do setor operacional da indústria. A empresa espera uma solução do governo sobre o preço do café, segundo o diretor Sergio Sardenberg. Ele acredita na possibilidade do governo liberar seu estoque do produto. Existem 14 milhões de sacas estocadas nos antigos armazéns do Instituto Brasileiro de Café, que estão deteriorando.
Sardenberg diz que, como os preços atuais do café verde brasileiro estão muito altos, a empresa não está conseguindo ser competitiva no mercado externo. Hoje, o preço da saca do café verde, do tipo usado para a produção do solúvel, varia de US$ 90 a US$ 100. Este mesmo tipo de café, só que torrado, custa US$ 67 no exterior, conta. Ele diz que, até o final do ano passado, o preço do café comprado pela companhia variava de US$ 60 a US$ 70. O problema é que a produção nacional de café vem caindo dia a dia.
Para tentar voltar a ser competitiva no mercado externo, no mês passado a Cacique fez uma operação de drawback - importação de matéria-prima para a fabricação de produtos de exportação - comprando 20 mil sacas de café (torrado) da Índia por US$ 67 a saca. Este café ainda não foi embarcado porque, ao saber da operação, o governo nos pediu um tempo para tomar providências. É que o Brasil corre o risco de perder US$ 200 milhões de divisas neste ano com este tipo de operação. A compra destas 20 mil sacas da Índia representa a abertura da possibilidade de perda de divisas, explica.
Cerca de 97% da produção de café solúvel da Cacique é exportado para 47 países. Destes, 60% vai para a Rússia. O mercado interno da empresa representa apenas cerca de 3%, segundo Sardenberg. Se nenhuma medida for tomada pelo governo, ele não descarta a possibilidade de começar a recorrer a operação de drawback frequentemente. Se isso acontecer, pode haver demissão na Cacique, no setor de torrefação, já que a matéria-prima de fora já vem torrada. Existe este risco, diz. Ele conta que, desde que a Cacique começou a exportar, há 30 anos, fez operação de drawback apenas uma vez, adquirindo 60 mil sacas, em 1992.
A empresa produz 70 toneladas de café solúvel por dia. Com a paralisação de 20 dias, Sardenberg afirma que haverá perdas. Mas não sei quantificá-las, diz. A Cacique consome 900 mil sacas de café verde anualmente. O faturamento da Companhia - no setor de café solúvel - varia de US$ 130 milhões a US$ 140 milhões por ano.


