Cacique dá férias coletivas na 2ª
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sexta-feira, 16 de maio de 1997
Da Redação 
A partir de segunda-feira os cerca de 500 funcionários do setor operacional da Cia. Cacique de Café Solúvel, em Londrina, entrarão em férias coletivas pelo período de 20 dias. A interrupção da produção é consequência da falta de um posicionamento do governo sobre os preços do café, segundo informou a direção da empresa.
O diretor Sérgio Sardenberg, que diz estar aguardando uma solução do governo, explica que com os preços altos do café verde brasileiro, a Cacique não está conseguindo competitividade no mercado externo.
Na tentativa de contornar a situação, a empresa chegou a importar matéria-prima para fabricar produtos exportáveis no mês passado - a chamada operação draw back. A empresa comprou 20 mil sacas de café torrado da Índia.
A Cacique é uma empresa exportadora: 97% de sua produção de café solúvel abastecem 47 países. A Rússia é o principal mercado da empresa. No mercado brasileiro, ficam apenas 3% da produção.
Se o governo não tomar nenhuma medida, Sardenberg diz que não vê outra saída senão recorrer às operações de draw back novamente. O que não é bom nem para o País (perda de divisas) nem para a empresa (perda de funcionários), ele afirma. Fazendo isso, existe o risco de demissão no setor de torrefação, alertou ele, dias atrás, explicando que, desde que a empresa começou a exportar, há 30 anos, só tinha utilizado esse recurso uma vez, em 1992.
A solução para o problema, para ele, é a liberação do estoque do governo. Sardenberg acredita nessa possibilidade. Existem 14 milhões de sacas estocadas nos antigos armazéns do IBC (Instituto Brasileiro de Café) que estão deteriorando - afirma. Hoje a empresa produz 70 toneladas de café solúvel/dia e consome 900 mil sacas do produto verde/ano. O faturamento da Cacique é de US$ 130 milhões a US$ 140 milhões/ano.


