Cacique busca certificação ambiental
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segunda-feira, 18 de dezembro de 2000
Luciano Augusto De Londrina 
A Cia. Cacique de Café Solúvel está trabalhando para, em 2001, alcançar o selo de certificação ISO 14000, de qualidade ambiental. A empresa vem trabalhando para isso desde 98, quando foi certificada com o ISO 9002.
De acordo com o gerente industrial, Júlio César Grassano, mais de 60% dos procedimentos necessários à qualificação estão concluídos. Todos os procedimentos e impactos ambientais já foram levantados, adianta.
Para atingir tal meta, a Cacique investiu pesado ao longo dos anos no tratamento de seus resíduos industriais. Foram quase R$ 7,2 milhões injetados no controle e gerenciamento dos efluentes sanitário e industrial, com a implantação do sistema de Vazão Zero. Com o sistema de vazão zero, não sai uma gota de água para fora e o tratamento é feito dentro da própria empresa, garante Sérgio Sardemberg, diretor institucional da Cacique.
O sistema foi implantado em 95 e, inicialmente, tinha capacidade para captar 6 mil litros de água/hora. De acordo com a necessidade, o sistema foi sendo ampliado e, atualmente, consegue captar até 56 mil litros de água por hora. Mesmo com a ocorrência de chuvas fortes, a direção da Cacique afirma que nenhuma água com impurezas sai do interior da fábrica. É uma demonstração de que a empresa não se preocupa somente com o desenvolvimento do seu produto, mas também com a comunidade, cumprindo rigorosamente todas as legislações tanto ambiental quanto legal, completa.
Conforme explicou o gerente de engenharia e projetos, José Branco Delgado, os efluentes sanitários totalizam perto de 5 mil litros por hora. Cem por cento deste esgoto está sendo tratado na Estação de Tratamento, por sistema aeróbico e é infiltrado nos gramados da Cacique. Já os efluentes industriais, um total de 60 mil litros/hora, são enviados para três caixas coletoras, cada uma com capacidade para 3.160 milhões de litros onde é feita a decantação. Peixes foram colocados nos tanques e atuam no controle biológico. Em seguida, este material é lançado em terreno de infiltração, se transformando num potente adubo orgânico.
Os terrenos que recebem a água com resíduos sólidos, são cercados por barricadas que não permitem o escoamento. A área total usada para o processo de evaporação da água chega a 144 mil metros quadrados. Nestes locais, para evitar a proliferação de insetos, a Cacique utiliza um larvicida natural desenvolvido pela Universidade Estadual de Londrina. A borra (resíduo sólido do processo) é reutilizada nas caldeiras, substituindo o óleo, numa economia que chega a 40% para a empresa.
A água escoada pelas galerias fluviais e da lavagem de vias internas, que, esporadicamente e ocasionalmente tinham como destino o Ribeirão Cacique, também está sendo tratada. A assessoria de imprensa da empresa ressalta que, mesmo antes e depois da implantação do sistema de Vazão Zero, em fevereiro de 95, a companhia nunca provocou mortalidade de peixes ou problemas de poluição no Ribeirão Cacique, Ribeirão Cambezinho ou nos Lagos Igapó.


