Cacique adia férias coletivas para dia 19
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sexta-feira, 09 de maio de 1997
Cláudia Lopes 
A Cia. Cacique de Café Solúvel adiou, para o próximo dia 19, as férias coletivas dos cerca de 500 funcionários do setor operacional da indústria, que estava marcada para começar nesta segunda-feira. A interrupção da produção da empresa teve que ser adiada por causa da visita de compradores russos. Uma parte destes compradores veio nesta semana mas a outra só chega em Londrina na semana que vem. E eles querem ver a fábrica funcionando, diz o diretor Sérgio Sardenberg.
A decisão de paralisar a produção por 20 dias foi anunciada há dez dias pelo diretor, que aguarda uma solução do governo sobre o preço do café. Ontem, Sardenberg reuniu-se com o diretor da Associação Brasileira das Indústrias de Café Solúvel (ABICS), Sérgio Coimbra, em São Paulo, para discutir o assunto. O empresário espera a liberação do estoque de café do governo.
Sardenberg reclama que, com os preços atuais do café verde brasileiro, a Cacique não está conseguindo ser competitiva no mercado externo. Segundo ele, o preço da saca do tipo usado na produção de café solúvel varia de US$ 90 a US$ 100, enquanto no exterior o produto já torrado custa US$ 67.
Se o governo não apresentar nenhuma solução para o problema, Sardenberg pretende recorrer a operação de draw back - importação de matéria-prima para a fabricação de produtos de exportação. Caso isso aconteça, ele não descarta a possibilidade de demitir funcionários no setor de torrefação da Cacique já que a matéria-prima de fora vem torrada. A empresa comprou 20 mil sacas de café (torrado) da Índia por US$ 67 a saca. O produto ainda não foi embarcado a pedido do governo. O Brasil corre o risco de perder US$ 200 milhões de divisas neste ano com este tipo de operação.


