Cachorro quente ameaça qualidade da cebola no PR
Vânia Casado
ArquivoPerdas no armazémA cebola é bem colhida mas não resiste à armazenagem. Problema é comum no Paraná e Santa CatarinaO excesso de chuvas nas fases de desenvolvimento e pós-colheita está comprometendo a qualidade da cebola. A situação é semelhante no Paraná e em Santa Catarina. Juntos, Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul produzem 82% da produção nacional calculada em 900.000 toneladas.
Com as perdas - que só no Paraná atingem 27% -, as importações de cebola da Argentina estão se antecipando e já é comum encontrar cebola importada nos supermercados.
Segundo informação da Associação Nacional de Produtores de Cebola, a Argentina plantou 20.000 hectares de cebola na safra 97/98 e espera exportar 50% para o Brasil.
No Paraná, a previsão inicial da Secretaria da Agricultura era colher 72.600 toneladas e agora a estimativa foi reduzida para 53.000 t. Ocorre que a qualidade do produto colhido que está armazenado está sendo comprometida por uma doença conhecida como cachorro quente que ataca o bulbo, provocando a podridão da cebola. Essa doença está atacando o produto colhido em Irati, responsável por 15% da produção estadual, e na região metropolitana de Curitiba, responsável por 67% da produção.
Diante da ameaça de perder a safra, o produtor quer comercializar rápido a mercadoria, mas o mercado está parado. A saca de 20 quilos está cotada a R$ 4,00, quando deveria estar sendo comercializada entre R$ 6,00 a R$ 8,00 a saca, afirmou Alcion Fleury Marques Vaz, extensionista da Emater em Imbituva. Ele acredita que está ocorrendo manobras especulativas por parte de alguns intermediários que vêm ao Paraná em busca do produto.
Isso porque nos grandes centros atacadistas do país, foi espalhada a notícia de que a cebola do Paraná está podre o que provocou o desaparecimento de compradores nas regiões produtoras. Ocorre que o intermediário ficou sozinho na região e está comprando cebola de boa qualidade a preços irrisórios, desconfia Fleury. Ele admite que ocorreram perdas com a cebola, inclusive na fase pós colheita, mas garantiu que ainda tem muito produto de qualidade por aqui.
Segundo Fleury, a região de Irati colheu 7.900 t de cebola e ele calcula que 25% desse volume já foi comercializado, 20% da produção está ameaçada de perder nos armazéns, mas o restante que corresponde a cerca de 4.700 toneladas está com boa qualidade, garante.





