Cachecol de Nova Esperança conquista a França
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quinta-feira, 01 de maio de 2008
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
De ponto em ponto, pedacinhos da Vila Rural Esperança, em Nova Esperança (Noroeste do Estado), conseguiram cruzar o Atlântico e chegaram a Paris. Trabalhadores rurais que até bem pouco tempo nem sabiam direito onde ficava a França no mapa mundi conseguiram ultrapassar fronteiras tecendo cachecóis artesanais feitos com fios de seda que encantaram os europeus. Vencidas as dificuldades iniciais, eles já pensam em aumentar a produção para atingirem outros mercados.
A aterrisagem em território francês dos cachecóis de Nova Esperança ocorreu de forma, diga-se, inesperada. O secretário municipal de Agricultura, Edgar Moser Júnior, conta que um amigo de Maringá - João Berdu, dono de uma indústria de fio de seda - comentou com ele que havia um espaço em Paris com lojas que comercializavam apenas produtos artesanais produzidos por pequenas comunidades. A idéia foi levada aos moradores da Vila Rural, que já trabalhavam com bicho-da-seda mas comercializavam apenas os ''casulos verdes'' para indústrias que exploravam o restante da cadeia produtiva.
O desafio era transformar o casulo, ou melhor, o fio ''fabricado'' pela lagarta, em cachecóis artesanais e, partir daí, tentar abrir portas no mercado externo. Algumas das mulheres das cerca de 150 famílias residentes na comunidade se interessaram. E foi um tiro certo. Primeiro, precisaram fazer pequenas amostras para serem enviadas à representantes dos lojistas franceses. Eles avaliaram o material e ainda enviaram observadores ao Brasil para comprovarem ''in loco'' se o produto era realmente feito por pequenos sericicultores organizados e se quem iria produzir as peças ficaria com a maior fatia dos lucros. ''Eles queriam se certificar de que não havia pilantragem'', ironiza o secretário.
Projeto aprovado, o próximo ponto foi começar a produzir um bom número de cachecóis para serem remetidos à França. Antes de começar a tecer, entretanto, os participantes tiveram que viabilizar a produção do fio que seria usado na tecelagem, haja visto que o produto que eles pretendiam trabalhar não poderia ser comprado em lojas comuns. Novamente, o amigo Berdu contribuiu transformando o casulo de segunda em fio e tingindo o produto para que pudesse ser trabalhado pelas habilidosas mãos das poucas tecelãs da Vila Rural.
Dia a dia, os cachecóis foram ganhando forma e o que era apenas um sonho distante se materializou em 70 peças delicamente rústicas, característica que conferiu personalidade e valorizou os produtos feitos com matéria-prima 100% natural. ''O diferencial deste cachecol é justamente sua rusticidade e este lado social que agrega muito mais valor ao produto '', comenta Moser Júnior.
Com o apoio da Secretaria de Estado da Agricultura e da Emater, os cachecóis foram enviados para França em dezembro do ano passado e por lá ficaram. E o produto agradou tanto que já tem francesinha desfilando o genuíno produto de Nova Esperança pelos arredores da Torre Eiffel. Uma nova remessa deve ser enviada no segundo semestre.
Com o sucesso dessa primeira investida, os sericicultores já pensam em ampliar a produção para poderem atingir novos mercados, tanto na Europa quanto em países asiáticos e também sulamericanos. Além disso, em breve, o cachecol de Nova Esperança poderá também ser adquirido pelos brasileiros. Desde que o projeto começou a ficar conhecido, muitos interessados já contataram a comunidade para comprar peças.


