Cachaceiros querem vender para a elite
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de junho de 1997
Agência Folha Brasília 
Os produtores de cachaça querem transformar a bebida em produto de exportação e de consumo das classes A e B. As indústrias do setor organizaram o Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Cachaça e estão prontos para criar uma política nacional da bebida. A estratégia é consolidar a venda do produto no mercado interno e aumentar as exportações.
O coordenador de Inspeção Vegetal do Ministério da Agricultura, Ricardo Cavalcanti Júnior, disse que a idéia é associar a cachaça ao Brasil, como fazem os consumidores em relação à tequila do México e o saquê do Japão. Eles pretendem investir primeiro na universalização do nome.
A aguardente de cana e a pinga deverão ser conhecidos como cachaça. Ainda não há um consenso dos produtores sobre o melhor nome, mas como o produto é conhecido no mercado externo por cachaça, este nome deve prevalecer. A polêmica é que, no Brasil, a cachaça tem conotação pejorativa e não é bem vista nas classes A e B.
Segundo o coordenador de Inspeção Vegetal, o Brasil é o único país que produz a aguardente de cana. A França, por exemplo, fabrica aguardente, mas de vinho. Para quebrar essa resistência, um dos planos é criar categorias de cachaças, com preços diferenciados. Essa foi a estratégia usada no México para aumentar as vendas da tequila.
Os produtores irão criar também um fundo para campanhas promocionais. A outra meta é formalizar os produtores informais do país. Ricardo Cavalcanti, diz que existem 30 mil produtores brasileiros, mas 80% em situação ilegal. O Brasil produz 2 bilhões de litros da bebida por ano e exporta apenas 0,25% da produção, faturando US$ 7 milhões.


