Curitiba - Cerca de 100 produtores de cachaça artesanal do Paraná participam de um encontro, em Curitiba, que está dando o primeiro passo para ampliar a participação da cachaça paranaense no mercado. Organizado por entidades como a Secretaria Estadual de Agricultura, Companhia de Desenvolvimento Agropecuário (Codapar), Sebrae e Emater, um dos principais objetivos do I Encontro Estadual de Produtores de Cachaça é formar uma associação ou cooperativa do setor, como forma de reduzir custos na aplicação de novas tecnologias, melhorias de rótulos e embalagem e na divulgação do produto.
O Brasil produz, hoje, 1,3 bilhão de litros de cachaça artesanal e industrial por ano, segundo dados da Associação Brasileira de Bebidas (Abrape). Não há dados específicos sobre a produção do Paraná. Sabe-se que existem cerca de 300 produtores. Destes, 70% são informais, ou seja, não estão regularizados junto aos órgãos competentes.
A informalidade do setor, segundo o gestor do Programa Fábrica do Agricultor da secretaria, Luis Damaso Gusi, ocorre principalmente em função da alta taxa de impostos no Estado. O Paraná é o estado que cobra o Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) mais caro para a cachaça, de 27%. Em outros Estados o imposto oscila entre 7% e 18%. Há, ainda, outros entraves, como a precariedade de embalagem e rótulo, ausência de tecnologias modernas na produção, falta de linhas de crédito específicos e de investimentos em propaganda.
''Eu deixei de vender para a Alemanha na semana passada, porque não consegui acompanhar o preço'', reforça Frederico Isemberg, produtor da Caninha Jaguarandi, em Toledo, na região Oeste. Há oito anos no ramo, ele produz 20 mil litros da bebida por ano. ''O maior problema é conseguir comercializar a cachaça artesanal'', conta. No ano passado ele chegou a negociar cerca de mil garrafas para a Espanha, mas não pode prosseguir com a operação por causa dos impostos. Sua esperança é que a implantação de um sistema de cooperativa, com o auxílio técnico de entidades, viabilize uma maior participação do Paraná nos mercados interno e externo.
Para falar da experiência de sucesso em Minas Gerais Estado de maior produção de cachaça artesanal , o evento convidou a presidente da Cooperativa de Produção e Promoção da Cachaça de Minas (Coocachaça), Dirlene Maria Pinto. Segundo ela, a organização naquele Estado começou em 1982, com a criação da Associação Mineira dos Produtores de Cachaça de Qualidade (Ampaq), que serviu de base para a criação de 15 associações semelhantes em outros Estados.
Minas Gerais produz 240 milhões de litros por ano de cachaça artesanal e tem 8 mil produtores. Segundo Marlene, o Estado é responsável por 10% da produção total nacional, e de 30% da cachaça artesanal. ''A cachaça enfim foi entendida pelo seu significado para o Brasil. Ela faz parte da cultura brasileira, da imagem de alegria e este aspecto tem que ser valorizado'', diz. Uma das lutas das associações, através da federação, é aumentar as exportações.
Atualmente só 0,07% da produção nacional são exportados. Deste total, 10% são artesanal. Apesar do pequeno volume, a cachaça artesanal dobra o valor das exportações do setor, em função do valor agregado do produto. Uma das lutas em âmbito nacional tem sido a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os moldes de antes, da ordem de R$ 0,25 por litro.

mockup