O diretor da Colacril Indústria de Adesivos Ltda, Valdir Arjona Gaspar, disse ontem que a unidade que a empresa vai construir em Campo Mourão transformará a fábrica na maior do segmento de autoadesivos em toda a América Latina. ‘‘Hoje estamos entre as três maiores e somos a única brasileira a brigar com as multinacionais’’, disse Gaspar. A primeira fase da indústria, orçada em R$ 8 milhões, deve ficar pronta em nove meses.
O protocolo de intenções para a instalação da indústria foi assinado ontem de manhã pelo governador Jaime Lerner (PFL) e pelo prefeito Tauillo Tezelli (PPS), além do diretor da empresa. Atualmente a Colacril tem sede em Barueri, na Grande São Paulo, mas o projeto prevê a transferência completa da fábrica para Campo Mourão. ‘‘A segunda fase deverá ter um investimento de pelo menos mais R$ 8 milhões’’, assegurou o diretor da empresa
Segundo Gaspar, os equipamentos para a unidade de Campo Mourão já estão comprados e a construção da fábrica deve começar ‘‘imediatamente’’. O terreno para a indústria, no entanto, ainda não está definido. A prefeitura diz que existem três áreas sendo analisadas. De início, a Colacril vai gerar de 120 a 150 empregos diretos, mas esse número deverá chegar a 200 com a segunda fase do investimento, que deve ser entregue entre 18 e 24 meses.
‘‘O que decidiu o jogo a favor de Campo Mourão foi a mão-de-obra’’, explicou Gaspar. ‘‘Aqui a pré-qualificação já é boa e os funcionários dão mais valor ao emprego’’. O diretor da Colacril reclamou que em São Paulo os empregados não têm tanta fidelidade e que a rotatividade de funcionários é ruim para a empresa. ‘‘A qualificação profissional que exigimos não existe no Senac ou no Senai e nós mesmos temos que investir em cursos para os empregados’’, explicou.
O prefeito Tauillo Tezelli disse que a cidade vem investindo pesado no setor público e que faltava apenas uma grande indústria. ‘‘Agora isso está acontecendo’’. A Colacril prevê um faturamento anual de R$ 67 milhões em Campo Mourão, o que significará cerca de R$ 2,5 milhões de ICMS ao ano para a prefeitura. ‘‘Tenho certeza que atrás da Colacril virão muitas outras indústrias para o município’’, frisou Lerner.
No discurso que fez após assinar o protocolo de intenções para a instalação da nova indústria de autoadesivos em Campo Mourão, o governador Jaime Lerner (PFL) disse que as regiões Noroeste e Oeste do Estado vão ganhar em breve o maior complexo de agroindústria em tecnologia do País. ‘‘Isso também vai começar a acontecer’’, frisou o governador. ‘‘Estou sentindo pelos contatos que venho mantendo’’.
Lerner destacou que o complexo agroindustrial para as duas regiões é um projeto estratégico para o desenvolvimento do Estado. ‘‘Em 30 anos de vida pública, nunca deixei que um projeto estratégico deixasse de acontecer’’, ressaltou. ‘‘E isso vai acontecer porque o Paraná está na contramão da crise’’. (leia mais ao lado)
‘‘Uma indústria pode se instalar em qualquer parte do Paraná porque temos estrutura para isso’’, explicou o governador. Ele destacou a qualidade das estradas e os investimentos na ampliação da coleta e tratamento de esgoto. ‘‘Campo Mourão logo terá 80% de seu esgoto tratado’’, exemplificou. ‘‘Isso é coisa de Primeiro Mundo’’.

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