CARACAS - O ex-presidente americano George Bush pediu ontem em Caracas uma maior atenção de Washington à América Latina, ressaltando a ‘‘responsabilidade’’ dos Estados Unidos no cenário mundial. Bush, que participa como relator na conferência ‘‘Petróleo: abertura para o século XXI’’, organizado pela companhia estatal venezuelana de petróleo, disse que gostaria que a América Latina fosse a prioridade de Washington e admitiu que o país não tem dado atenção suficiente à América do Sul.
Ao comentar a reeleição de Bill Clinton, Bush disse que a visita do presidente norte-americano à América Latina será de grande importância, lembrando que a economia da região cresceu 3% no ano passado e que as importações dos Estados Unidos têm triplicado na última década. Sobre o Tratado de Livre Comércio (NAFTA), que ele mesmo firmou com os presidentes do México e do Canadá, disse que agora espera pelo ingresso do Chile, mas enfatizou que para isso ‘‘é preciso lutar, é preciso ir ao Congresso’’.
Com relação ao México, o ex-presidente disse que havia empresas que queriam abandonar a associação comercial com o México devido à crise econômica, ‘‘mas que agora está se recuperando. Creio que agimos corretamente permanecendo a seu lado, e Clinton merece reconhecimento por isso’’.
Apoio aos blocos Bush falou também sobre blocos regionais de integração, dizendo que o Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai) e o Pacto Andino (Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela) são iniciativas boas. ‘‘A única preocupação seria se fossem exclusivistas, mas não são’’.
Ao sustentar que a abertura econômica cria um ambiente de maiores liberdades individuais e de respeito aos direitos humanos, Bush disse que durante seu governo (1989-93) viu ‘‘muitas democracias na América Latina abrirem suas asas e voar’’. Afirmou também que uma vez que Fidel Castro deixe o governo de Cuba se terá um hemisfério totalmente democrático’’.
Antes da entrevista, ontem à tarde, Bush se reuniu com o presidente venezuelano Rafael Caldera e muitos de seus ministros, com os quais discutiu as relações da América Latina com Washington e o futuro do petróleo.

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